Templo inpuro

Entradas do Agosto 2008

ser Gremista, por Humberto Gessinger

Agosto 29, 2008 · 1 Comentário

meu pequeno gremista

“CALMA!! CALMA!!” é o técnico Valdir Espinosa à beira do gramado tentando fazer o time acreditar que falta pouco para o Grêmio ser campeão mundial interclubes. O tom da voz entrega: nem ele parece acreditar no que vê. 

“CALMA!! CALMA!!” o grito absurdo da voz rouca parece dizer o contrário. Alguém que não entendesse português (os japoneses no estádio de Tóquio, por exemplo) poderia jurar que o significado das palavras urradas era outro: “PÂNICO!!PÂNICO!!” 

Renato, um gaúcho que sonhava ser carioca, faz dois gols: somos campeões batendo o Hamburgo da Alemanha com a alma castelhana misturada a habilidosos pistoleiros de aluguel. Uma mistura impossível de Hugo De Leon e Paulo Cesar Caju. Geograficamente entre o tango e o samba. 

O ano é 1983 e a década inicia promissora. Os anos setenta foram cruéis para o imortal tricolor: no lado de lá se via Figueroa, Falcão, Carpegiani, um céu vermelho sobre o Rio Guaiba. Eu deveria negar até a morte, mas a verdade é que, nos primeiros grenais que assisti, o empate parecia um grande negócio. Nova década, a gangorra do futebol gaúcho parecia estar mudando de posição. 

“CALMA!! CALMA, PORRA!! Talvez forma e conteúdo nunca tenham estado tão afastados. Assim como nada pode estar mais distante do ufanismo de um hino do que a dor de cotovelo de um samba-canção. E foi justamente Lupicínio Rodrigues quem prometeu “Até a pé nós iremos / para o que der e vier / pois o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver” 

Nosso hino sempre me pareceu mais a promessa de um amante fazendo a ronda nos bares do que o juramento de um guerreiro. Mas é como guerreiros praticantes de um futebol rugby que somos vistos pelo resto do Brasil. 

Longe demais das capitais, nunca fomos importantes para a seleção brasileira. Ganhamos campeonatos nacionais e Libertadores da América sem ter jogadores convocados. Em 1970, no México, tínhamos Everaldo… reza a lenda que ele só foi titular por que alguém tremeu. Eu tinha 6 anos e fui ao aeroporto vê-lo chegar com a taça Jules Rimet. Para nós a seleção era ele mais dez. 

Ser gremista significa qualquer coisa menos tédio… é gritar desesperadamente: CALMA!!… é comer o mingau quente pelas bordas e saber que, no bom churrasco, a melhor carne está perto do osso. Nosso time faz milagres, mas quase sempre prefere os caminhos mais tortuosos. 

Jogar o gauchão no inverno não é nada parecido com futivôlei em Ipanema. Me lembro de um jogo à noite na serra gaúcha (Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias… não sei) disputado com neve caindo. Nossa camisa já é bonita contra o verde; sobre o branco, o azul-preto-branco ficou mais blues-samba-canção. 

Torcer pelo imortal tricolor dos pampas é ter certeza de que nada é certo. É ir para a Segunda divisão pouco depois de ser campeão do mundo… é voltar a disputar o título mundial e engrossar um jogo tido como ganho pelo Ajax da Holanda… é ganhar uma copa do Brasil do Flamengo num maracanã lotado… é perder uma copa do Brasil para o Corínthians no Estádio Olímpico e cantar o hino com orgulho ao final do jogo… 

Aqui na ponta do mapa a gente não sabe muito bem o que é ser gaúcho… ser gremista é parecido com isto. É chamar de Felipão quem os paulistas chamam Scolari… é começar o time com um bom zagueiro… o número 10 a gente vê depois. 

No fim de um show que fizemos num Morumbi lotado, agradeci: “Valeu pessoal, foi um prazer tocar em frente à goleira onde Baltazar fez o golaço contra o São Paulo que nos deu o título brasileiro de 1981!” Recebi a maior e melhor vaia da minha vida. 

Ser gremista é achar que dá.
Humberto Gessinger – Porto Alegre
Publicado originalmente na revista VIP

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O Gre-Nal mais legal de todos os tempos

Agosto 28, 2008 · Deixe um comentário

o sítio impedimento publicou um puta texto bonito sobre o clássico. uma nostalgia inofensiva, como diria o matiti!

confiram ; O Gre-Nal mais legal de todos os tempos

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Gaudério dos Pampas (saudade do chão missioneiro)

Agosto 27, 2008 · Deixe um comentário

 

  

 

 

 

Longe de um Porto Alegre. Longe de qualquer Porto Seguro.

Longe daquele sorriso matreiro e faceiro.

Sólito como jamais havia imaginado.

Por ser índio resolvido não especulava,

apenas seguia.

Em noites razoáveis sentia-se próximo á sua querência,

jurava que podia sentir soprar o minuano.

Mas noites razoáveis eram raras.

Nas noites que passavam igualitas, um blues bem loco

Resolvia a parada.

O chamamé também trazia acalanto,

E apresentava-se com certa elegância,

Mas elegância nada tem a ver com sobrevivência.

Com nenhuma delas.

 

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gremio cantando na chuva

Agosto 20, 2008 · Deixe um comentário

encontrei uma bela matéria sobre o imortal tricolor no site da fifa; o endereço é o seguinte;

singing in the rain.

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minha solidariedade aos colegas alviverdes

Agosto 20, 2008 · Deixe um comentário

Douglas Ceconello, do blog impedimento, anuncia a despedida de Valdívia, que foi vendido ao Al Ain, da Arábia.

o Chileno, que tantas alegrias trouxe aos gramados tupiniquins, com seu jeito despretencioso de driblar e polemizar, deixa o Palmeiras com uma carta, que assim nos é apresentada por Ceconello;

“Mas ele deixou uma carta. Os homens de alma corrompida pelos muitos dissabores da vida podem afirmar com escárnio que ele tratou de fazer média. Eu, apenas um rapaz sul-americano, faço questão de acreditar na sinceridade do MANUSCRITO. Lá pelas tantas, ele diz (ou manda escrever, não interessa): “Se um dia o futebol brasileiro me quiser de volta, é a esta Casa que quero voltar. Sei que os que aqui ficaram têm todas as condições de fazer o Palmeiras campeão. E do outro lado do mundo estarei torcendo pelo time, pelos meus companheiros, pela comissão técnica, dirigentes e principalmente por você, torcedor Palmeirense”.

a carta na integra encontra-se no observatório alviverde, quem quiser lê-la, passe por lá, o artigo escrito pelo Ceconello está no blog impedimento.

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o plágio que quer comunicar

Agosto 19, 2008 · Deixe um comentário

O Bortolotto publicou essas pérolas que ele credita á Jorge Cardoso. belos, porém desesperados. ou seria belos e desesperados? não sei! Publico apenas duas delas, quem quiser ler mais passa lá no http://atirenodramaturgo.zip.net/, o blog do Marião.

Eu conheci um cara que nasceu em uma caçamba de lixo. Ele me disse que a mãe dele falou assim: “Agora que já tem trabalho, se vire, é contigo!” E assim a gente fica trabalhando e pagando as contas, trabalhando e pagando as contas, sempre. Porque assim é a vida.

Um dia falei que queria cozinhar um golfinho. A menina era tão bonita – loura e de botas. Falei aquilo para aparecer. E ela deu uns pulinhos e disse: “Que selvagem!” E voltei sozinho pela neve aquela noite, era dezembro, o caminho inteiro até em casa pensando assim: quem sabe se eu falasse outra coisa ela voltaria comigo? Essa outra coisa que nunca chega.

 

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MEU NOME É VÍBORA

Agosto 14, 2008 · 1 Comentário

noite no texas bar

noite no texas bar

Ele já estivera sob a mira de um revólver antes. Pelo menos uma centena de vezes.

 

 

Jonatham Miller, caixeiro viajante que passava pelo texas bar uma ou duas vezes por mês, encontrava-se no balcão com sua dose de uísque em mãos. Mesmo ele, sócio itinerário do texas bar, já assistira esta cena antes. O mesmo homem diante de uma pistola.

O homem com o velho colt M-16 em punho é Sullivam York, forasteiro que já passara pelo texas bar, arranjando muita confusão daquela vez.

Essa noite York resolveu testar a fama de Víbora, como outros homens fizeram, em noites mais negras do que esta.

Víbora treme a sua frente. York esta prestes a atirar. Antes, tenta identificar se o que escorre sobre a face de Víbora é suor ou lágrima. O sofrimento e o medo presentes no olhar expressivo de Víbora davam a Sullivam York uma forte sensação de virilidade. Sensação esta que Sullivam York nunca experimentara.

Pronto.Os expectadores perceberam o exato momento em que Sullivam foi hipnotizado.

Outro homem entendia tarde demais porque Joey era chamado de Víbora.

Quando Eduard Montgomery, xerife local,  chegou ao bar, encontrou homens bebendo “blood mary” e comentando o tempo.

Tudo estava em paz no texas bar.

(continua…)

 

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REED E CALE CANTAM PARA ANDY WARHOL

Agosto 12, 2008 · Deixe um comentário

 

A gente tem mesmo essa mania prudente de evitar os orelhões da cidade, a ficha no bolso, verdades descendo como dinamite pela garganta. A gente, sem dúvida, tem essa mania idiota de se sentar na mesma fila que a outra pessoa e não olhar para ela. Porque aprendemos com o tempo que ignorar nos deixa longe de encrenca. Só não aprendemos que sem encrenca e essa garota de caninos salientes que deixa marcas profundas em nosso pescoço e que exige envolvimento não há felicidade. A gente alimenta mesmo esse medo imbecil de esparramar os talheres na mesa. Porque nos ensinaram que confissão só mesmo atrás de uma grade de madeira ou sob porrada. Por isso marcamos tanto, deixamos pra lá. A dinamite explode no estômago e a gente então apodrece conformado, egoísta com um disco de jazz, um cachorro e uma garotinha, a filha da vizinha, preparando o café. Em algum lugar, alguém na mesma situação precisando ouvir coisas que a gente precisava dizer. Lou Reed só se tocou quando estava lá, no funeral. O corpo de Andy, seguramente ainda mais pálido, parecia dizer: “E então, Lou? Você está aí. Acabei de apostar com Jim Morrison que você não ia aparecer”. Então Reed olhou para John Cale e falou: “Acho que precisamos fazer alguma coisa”. Fizeram 14 canções. Lou Reed vomitou dinamite, vísceras e flores. Emocionou quem o ouviu na igreja de St. Ann no aniversário da morte de Andy. O homenageado talvez não se emocionasse tanto, é que ele preferia as coisas diferentes, afinal foi Andy quem descobriu Lou e sua gang, um grupo tão obscuro quanto o nome (Velvet Underground) tocando num lugar também obscuro, o Café Bizarre no Greenwich Village, e os convidou para que fizessem parte de um espetáculo que estava preparando, o “Andy Warhol-up tight” que depois passaria a ser chamado de “Explosão Plástica Inevitável”, foi ele também que produziu o primeiro disco do Velvet e desenhou a capa, a famosa capa com a banana, mas depois Lou acabou por afasta-lo da banda assim como afastou John Cale e Nico. Lou Reed nunca mais quis saber de Andy. Em seu diário (lançado no Brasil pela L&PM) Andy queixa-se que Lou Reed não lhe telefona mais, não o convidou para seu casamento, senta-se na mesma fila que ele e o ignora. Andy escreveu: “Eu odeio Lou Reed cada vez mais”. Nas 14 canções, um Lou Reed friamente emocionado, como só Lou Reed poderia ser tenta se retratar e recuperar o tempo perdido. Ele escreve em Starlight: “Telefone logo antes que a gente se mate de conversar”. É uma confissão tardia, porém dolorida, sincera, estilhaços de frases que não foram ditas no momento oportuno. O poeta e seu poder de, mesmo sendo canalha, ainda assim, emocionar. A Rede Bandeirantes, mostra hoje a noite essas 14 canções (o disco já está a venda). Quem quiser se tornar testemunha dessa confissão emocionada, basta mudar de canal, não é pedir muito, visto as bobagens que vão estar passando nos outros. Mas se você está a fim de virar personagem, faz o seguinte: mata aquele resto da garrafa de conhaque, bate na porta da casa daquela pessoa, aí quando ela abrir, você diz: “E aí, como é que é? Eu não te vejo a tanto tempo, tem algumas coisas que eu tava querendo te dizer. Eu sei que pode ser um pouco tarde, mas tenta entender, é assim que sou”.

do livro; Gutemberg Blues, de Mário Bortolotto.

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ENCONTROS E DESPEDIDAS

Agosto 7, 2008 · 2 Comentários

Foi legal o reencontro. Foi legal perceber que tudo aquilo significou alguma coisa. Interessante notar o quanto mudamos. “não tomo mais tereré”. Mas continua dramática. Foi legal sacar que eu era um cara com alguma coisa pra dizer. “vc tinha opinião sobre tudo”. Foi legal sacar o quanto já não somos os mesmos. Nem melhores, nem piores, apenas diferentes. Foi maduro e civilizado. Um show de boas maneiras.

No dia seguinte o telefonema, “sabe onde eu to indo, to indo comprar erva de tereré”

Legal perceber que as coisas boas ficam, independente das cagadas que as envolvam, e que a gente continua se influenciando, mesmo depois das despedidas.

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Ravel e as chamadas não atendidas

Agosto 4, 2008 · Deixe um comentário

Manja esses dias que tu acorda cabreiro porque já fazem duas semanas que tu não sai pra fazer suas obrigações? manja esses dias em que tu repentinamente se lembra de quem foi, e se da conta de que deixou a melhor parte de ti em algum lugar esquecido na memória?

manja quando você vai até a geladeira e lá só tem os restos do ultimo churrasco que foi há três meses? pois é…quando o mundo parece ter definitivamente te deixado em paz com sua loucura…o telefone toca, você tem prestações atrasadas, uma entrevista de emprego, um trabalho da faculdade…uma namorada, um cachorro, um celular cheio de chamadas não atendidas…você tem de encarar os fatos, está vivo e solicitam sua presença num bar da cidade.

fazer o quê? Ravel sempre funciona!!!!

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