Na 7060 Hollywood Boulevard, existe uma estrela, que segundo os responsáveis, não é tão fotografada como as outras. Isso porque o nome que consta ali é de um cara que vem de um tempo em que estrela de cinema não era apenas um sinônimo para corpo sarado. No tempo dele, o astro antes de tudo, tinha que brilhar para fazer jus ao titulo. Paul Newman brilhava. Sobrava talento.
Lembro de ter visto a caixa contendo o indomável em uma banca de revistas. Gostei da expressão do Donald Sullivan, o Sully. Foi por isso que levei o filme. Não me arrependi. O roteiro simples ganha muito com a encenação do protagonista. Gostei tanto do personagem que volta e meia aparece um Sullivan nas minhas histórias. Sully é um desses caras que ninguém nunca ouviu falar e que se desaparecer ninguém vai sentir falta. O cara é um sujeito bem amargo e solitário. Sully vive com uma professora que lecionou a ele no passado e que ainda acredita no ex-aluno. Só ela acredita nele, ele mesmo não se leva tão a sério. Foi com esse roteiro simples que conheci o Paul Newman. Depois descobri que a identificação dele (e minha) com o personagem não era por acaso. O ator não pegava papéis grandiosos, preferia papéis nos quais se divertisse. Representou apenas a escória, os fracassados, desajustados e anônimos. Um perfeito anti-herói.
O Paul perdeu a briga para um câncer de pulmão dia desses. Foi a ultima peça que encenou. E como os personagens que ele encenou e deu vida nas telas de cinema, partiu sem muito estardalhaço. Quase ninguém reparou. Era o jeito dele, era assim que ele gostava das coisas, discretas, como aquela estrela na 7060 Hollywood Boulevard.
