Templo inpuro

Entradas do Março 2009

SOBRE GAROTAS

Março 25, 2009 · 2 Comentários

evillast_brian_viveros

 

“ Meninas boas vão para o céu.

As más vão onde querem”.

 

 

As meninas más conduzem selvagem ou suavemente

Suas vidas, o beijo, a relação ou nossas picas.

As meninas más esquecem teu nome, mas despretensiosamente,

Ligam pro teu número, só pra perguntar quem é .

Mentira, elas ligam pra te escrachar mesmo, pra te lembrar que…

Que você foi esquecido. Porque era merda demais para ser lembrado.

Depois desligam arrependidas, e saem com as amigas.

As meninas más voltam sozinhas pra casa

O fazem, como quem cumpre um rito intimo, como

Quem rele a própria biografia, pra lembrar quem realmente é.

As meninas más voltam sozinhas, na noite escura. E a pé.

Elas não querem tua carona. Nem tua companhia.

Elas não querem um babaca romântico interrompendo

Sua liturgia.

As meninas más… depois de um tempo contigo,

Elas não te dão perfume francês,

Só porque você tem “cheiro de machinho”

E pra elas, isso basta.

Para essas garotas, tanto faz se você faz economia na usp,

fala três idiomas, ou é semi-analfa.

Porque elas não querem um cara super refinado, com bons modos

E que tenha lido a obra completa do Machado.

Pra elas isso não significa nada.

Se você leu o texto até aqui, você não é uma menina má,

Porque uma menina má jamais perderia seu tempo

com um texto sobre “meninas más”

Elas não perdem tempo com coisas sobre si mesmas.

Na verdade as meninas más, elas temem… mas só querem

Se apaixonar.  Se apaixonar perdidamente de preferência.

E dividir a conduta de suas vidas, do beijo, da relação… e voltar

Pra casa de mãos dadas.

Mas elas não falam sobre isso.

Elas jamais admitiriam isso.

Jamais.

 

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tententender – Pouca Vogal

Março 16, 2009 · Deixe um comentário

o cool e o cult no mesmo palco, na mesma canção… Roger Water e Bob dylan dividindo o mesmo cigarro. E nada disso, diz respeito a avião ou bolas de futebol. É só pra quem vive e não quer sonhar sonhos herdados.

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E FALANDO NOS AMIGOS

Março 16, 2009 · Deixe um comentário

MEU AMIGO GABA FARÁ UMA FESTA NESTA QUINTA. VAI TER ROCK, CERVEJA E GENTE BACANA. PRA QUEM CONHECE O CARA, SABE QUE DISPENSA COMENTÁRIOS. PROMOVE AS MELHORES FESTAS DA REGIÃO. VAI SER QUINTA-FEIRA- 19- 03, VAI SAIR PELA BAGATELA DE 5 BARÃO, LA NO DVINYL. VEJO VOCES POR LÁ!!!

trecs

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SOBRE OS CARAS LÁ

Março 16, 2009 · Deixe um comentário

 

Após a conclusão do primeiro curta que fizemos juntos, eu, o Dom Leal, o Juliano e o Moa fomos tomar algumas. Dai eu escrevi isso;

Tem uns caras que não sabem beber “só um pouco”.

E eu conheço todos eles.

Tem esses caras que não tem o menor receio em passar a noite de segunda-feira no balção da Padoka. eles não telefonam uns para os outros marcando o local e horário de encontro. não, eles apenas se encontram no balcão. É como um desses acordos fraternos, de um desses clubes secretos  de cavalheiros.

Tem esses caras que dividem copos e bitucas, e que apresentam suas idéias e planos mirabolantes, incluindo sempre os outros nesses planos.

É claro que todos eles sabem que esses encontros são apenas o produto de inúmeros outros desencontros que cada um ali vive. Mas eles não falam sobre isso. Eles apenas pedem mais uma cerveja e pedem para o dono do bar trocar o CD.

Eventualmente eles arquitetam um longa, ou um curta. um poema coletivo…Mas eles sempre estão lá. Não leve a mal se um dia você for recepcionado por uma cortina de fumaça. É só um jeito diferente de dizer “seja bem vindo”. É o nosso jeito.

 Esse texto era óbviamente uma homenagem a todos nós. dai o Marião manda esta lá do blog dele;

Os amigos são pessoas que sentam na mesma mesa que a minha. Ou então que sentam na calçada e dividem copos de cerveja  e angústias. Os outros são pessoas com quem não faço a menor questão de me relacionar. Que Deus me livre dos malas e dos sujeitos mal intencionados. Acreditem, há muitos deles por aí. Só quero fazer bem o meu trabalho, acertar as oito bolas no menor tempo possível e beber meu whisky devagar e sem nenhuma ansiedade.  Não quero muito da vida. Só a manhã que há de vir.  E eu ainda espero estar por aqui pra recebe-la com uma encabulada declaração de amor.  

TENHO QUE ADMITIR QUE ALGUMAS PESSOAS SIMPLESMENTE RESPIRAM O MESMO AR, MESMO QUANDO EM COMODOS DIFERENTES…OU CIDADES DISTINTAS, E NESTE CASO, DISTANTES!

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Quando o futuro se impõe o passado não se aguenta

Março 12, 2009 · Deixe um comentário

Johnny Cash- Hurt

O Marião manda essa lá do blog dele e me tras uma brisa boa…fico com ela, mas divido com vc, nobre leitor;

Tem pessoas que ficam ansiosas. Outros bebem até morrer. Outros inventam mentiras sobre amigos. Outros tentam ficar indiferentes. Outros casam e tentam ser felizes. Outros invejam a vida dos outros. Outros ainda sonham com uma linda garota numa praia de Florianópolis. Eu apenas ouço o rap improvisado dos manos e penso a respeito.

não ouço o rap, Johnny Cash parece ser  suficiente…i hurt myself today…

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AAAhhh, a igreja…

Março 10, 2009 · Deixe um comentário

A igreja católica protagonizou dois grandes escandalos nas últimas semanas; primeiro o bispo britânico Richard Williamson, afirmou em rede pública na televisão Argentina, que o holocausto – o genocídio de 6 milhões de judeus durante a segunda guerra mundial- nunca ocorrera. Segundo este senhor, alguns poucos judeus haviam morrido na Alemanha nazista, nada de mais, coisa de 300 mil apenas. Sim, para o bispo, 300 mil mortos é coisa aceitável, inclusive, não justificaria a choradeira dos judeus desde aquela época.

padrecos saudando Hitler

padrecos saudando Hitler

 A segunda besteira protagonizada por essa gente foi na semana passada, o arcebispo de Olinda e Recife, d. Jose Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos que realizaram o aborto em uma garota de 9 anos. A criança em questão fora vítima de estupro. O responsável pelo estupro, seu padrasto. Sim, a igreja católica condenou o aborto, excomungou os profissionais que realizaram o aborto e condenaram ainda, a postura da legislação Brasileira, uma vez que esta ampara vitimas de estupro. Quanto ao crime de estupro…pasmem, o estuprador não foi excomungado, uma vez que crime mesmo é aborto. Estuprar pode.

Eu nem vou discutir a legitimidade do aborto. Menos ainda neste caso, acredito que qualquer individuo razoavelmente inteligente tenha condições de avaliar a situação de uma garota de 9 anos, grávida em função de um estupro.

O que me chama a atenção é a contradição entre os correligionários do vaticano, matar 300 mil não chega a ser um problema, uma garota de 9 anos, que vitima de estupro se submete á uma cirurgia para abortar um feto que possivelmente tiraria sua vida, isso sim, segundo eles é um crime.

Toda vez que esses velhos decrépitos abrem a boca é para cometer um crime. Não, eles não abrem a boca e cometem equívocos para em seguida vir a publico e se desculparem. Não senhores, esses caras cometem crimes, além dos crimes fiscais que todos nós conhecemos, são crimes psicológicos, ou você acredita que essa guria ai, que abortou continua acreditando que será “salva”no dia do julgamento final? Pois é, vivera de culpa. Viverá e terá de se relacionar e se acostumar com aqueles que a vêem como porta voz do capeta na terra. Esses sacanas da igreja católica são no mínimo irresponsáveis quando abrem a boca. Uma sugestão, portanto, para não dizerem que este texto não trás nada de construtivo, é convence-los, todos estes ai de batina, a permanecerem calados, realizando em silencio suas preces, e quando sim, forem solicitados em suas opiniões, pensar uns minutos antes de proferir suas ladainhas escrotas. De preferencia, que estes sejam consultados apenas quando houver alguma duvida sobre um impedimento ou pênalti em campeonatos regionais de futebol. Segunda divisão, claro.

Pra não dizerem por ai que sou um cético insensível, devo dizer que entendo que certas pessoas nunca superam uma infancia brutal, pois é, tem gente que vive uma vida toda brigando com uma situação, um momento, uma pessoa…real ou imaginária. Não deve ser nada fácil crescer em um seminário, passar a infância sendo bulinado por velhos de batina. Não é fácil e traumatiza, as evidencias estão ai, nestes que reproduzem a violência que sofreram nas sacristias financiadas por você e eu. 

 

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HISTÓRIA COMUM de um cara comum

Março 10, 2009 · Deixe um comentário

 ESTE TEXTO, PUBLICADO HÁ UMAS DÉCADAS ATRAS, Á ÉPOCA, O HAVIA DEDICADO AO MEU AMIGO GLAUCO.

HOJE O REPUBLICO, O DEDICO A TODO HOMEM SÓ (por vocação ou fatalidade), SEJA ELE QUEM FOR, ESTEJA ONDE ESTIVER!

A literatura, o cinema e o teatro criaram uma imagem estereotipada do sujeito que carrega uma marca, o cara que trás consigo um segredo, uma desilusão, um fracasso, enfim, o que Hesse chama de MARCA, apenas. Eles sempre são retratados de modo que ao bater a vista sobre eles você logo saca que aquele sujeito tem alguma coisa que o resto de nós não tem, um jeito enigmático de contemplar o mundo, um humor negro que beira ao niilismo, frases muito bem elaboradas, um olhar vago sempre distante, como se o cara estivesse sempre a olhar para um outro tempo, que não aquele no qual ele está inserido, para outras pessoas que não aquelas que com ele sentam-se á mesa. Isso tudo dá ao sujeito, homem ou mulher, feições sedutoras e em via de regra irresistíveis. Na vida real não é bem assim, tu encontra diariamente pessoas que riem e falam besteira o tempo todo, que andam de acordo com o que lhes é dito pra andar, freqüentam festas e no meio da multidão nada lhes difere dos demais. E todos eles contam uma história particular rica em dramas e comédias que preencheriam roteiros para grandes obras do cinema mundial. É o caso de nosso protagonista, que em se tratando de história tão comum, não recebe nome que lhe distinga dos demais. É um cara comum este, com uma história como a de tantos outros. Aconteceu-lhe de ter sofrido, como sofremos nós todos que habitamos o planeta terra. Mas este sofrer não é visível aos olhos de quem o vê passar, nem mesmo, a quem com ele discute a aleatoriedade do sentimento de plenitude é dada a habilidade de encontrar em sua fala articulada evidências de um sofrer. Não há nada. Mas ele sofre, talvez o leitor não tenha ainda se apercebido, mas ele foi mortalmente ferido, embora, não seja visível tanto sofrer.
Como diz o mote daquele belo filme de Thomas Andersem, “o passado já era pra nós, mas não nós para o ele”. É no passado que se encontram as explicações para o sofrimento atual de nosso protagonista. Á época deste acontecimento que o marcaria, ele não sabia que posteriormente seria parte desta narrativa, , excluindo portanto, qualquer possibilidade de a história estar comprometida com a promessa de uma futura crônica baseada em sua história, o que tornam as coisas mais verossímeis aos olhos do leitor. Á época também não sabia que seria a última vez que diria EU TE AMO para alguém, e por isso aqui iniciamos o caso do moço; ele disse EU TE AMO, e foi para o trabalho, como convém a quem sai para o trabalho dizer sempre ao objeto de seu amor; “eu te amo”, a fim de evitar a possibilidade da dúvida e de telefonemas indagadores no meio de uma reunião de negócios, ou , de um almoço com o chefe. Voltou do trabalho e não estava lá o objeto de sua afeição. Ele chorou. deu telefonemas, mandou emails , fez uma viagem, mandou cartas, flores, bebeu, ligou bêbado e chorando, como o fazem os bêbados rejeitados em todo o lugar deste mundo de homens bêbados e rejeitados. Ele fez anos de terapia, conquistou outras mulheres, foi conquistado por outras, se entregou ao trabalho. Recebeu promoção. ocupava agora cargo máximo na empresa na qual trabalhava, tinha altas responsabilidades e adquirira respeito e prestigio. Comprou um carro, uma máquina de lavar, que não convém á homem sozinho não ter maquina em casa, já é de conhecimento geral que lavar roupas não é especialidade de homem nenhum. Comprou um cachorro,  um peixe, discos do Miles Davis, colecionou entradas de shows e garrafas de bebidas. E todos o queriam muito bem, e ele a todos queria bem, arranjou até um cargo bem remunerado á um amigo que andava numa pior. Era um sujeito e tanto, desses com quem se pode perder uma noite conversando sem se dar conta do tempo que passa. E a todos não foi dada a capacidade de ver ali, um homem que há anos não se permitia dizer EU TE AMO. E ninguém mais lembrava daquela que o abandonara há anos atrás. Mas ele nunca esquecera. E ninguém nunca percebia que por trás daquele homem que tanto se dedicava aos amigos, ao cachorro, e ao trabalho (o peixe não que este já morrera nesta altura do texto) tinha os olhos úmidos. Sempre o acompanhou estes olhos úmidos e a impossibilidade de dizer EU TE AMO. Mas eram só estas marcas que o acompanhavam depois daquele dia em que pela última vez dissera eu te amo, e que á época ainda não sabia ser esta a sua última declaração de amor. E ninguém nunca percebera nele estes detalhes. E é assim ao homem comum. Que tem histórias e histórias sem fim, belas, ternas e dramas, mas nada de especial há em nenhum deles, que torne isso visível aos que o olham. Nosso protagonista não cortou os pulsos, apenas seguiu sua vida, sempre com um vazio e um olhar úmido, casou, teve filhos. É assim no mundo, o tempo todo desde sempre. A vida prossegue, o passado muitas vezes se faz presente, mas a festa tem que continuar. As marcas ficam. invisíveis ao olho comum. letais ás vezes, mas ninguém além de ti as vê. 

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Maringá – ou coisas de Ternura

Março 6, 2009 · Deixe um comentário

ternura

Foi num bar em Gravataí, Rio Grande do Sul, que o velho escritor conheceu Ternura, jovenzinha doce e matreira, que costumava secar as lágrimas de todos os seguidores de Santa Monique, a santa dos desgarrados. Todos os bêbados que se sentavam no balcão daquele bar com suas histórias de derrotas, fracassos e abandonos eram por ela consolados. Foi por essa razão que o velho escritor, já bêbado e cansado, escreveu uma história, na qual criou uma cidade onde havia muita Ternura. Pequenas e grandes ternurinhas. A esta cidade, o velho e cansado escritor deu o nome de Maringá. Deixou o manuscrito sobre o balcão do bar e enforcou-se na manhã seguinte, dentro da pensão em que se hospedara quando de sua chegada a Gravataí. Quem me confidenciou esta história foi a doce e meiga Ternura, enquanto secava minhas lágrimas. Segundo ela, ninguém além dela e eu conhecem a história. O resto é pura especulação.

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sobre sentidos e cães guia

Março 3, 2009 · 1 Comentário

sobre-sentidos1Sullivan gostava de explorar os sentidos, tinha algo a ver com o fracasso de seus próprios sentidos, eu acho. Na década anterior, fora apontado como um dos nomes mais promissores da literatura nacional. Seu poema épico experimental “marrom punheta”, alguém parte algo se rompe” foi premiado até no exterior. Não que ele ligasse pra isso. Isso tudo, porém, foi antes das 12 paradas cardíacas que consumiram suas vaidades. Pois é, ele garantia que poesia experimental é diretamente proporcional a auto-estima do sujeito. Eu costumava ir ao sítio de Sulli. Era recepcionado pelo que ele chamava de cão-guia. Ele comprou o cão porque estava cego. Ele precisava de um guia. Ele nunca percebeu que o cão era tão cego quanto ele. E quem poderia culpa-lo? Ele precisava acreditar que algo ou alguém o guiava. Deve ser isso o que sobra para um sujeito que foi esquecido. Eu sentava ao lado de Sulli e lia para ele os jornais locais. Discutíamos, as vezes ele ria um pouco das tragédias dos outros. Só as vezes. Não havia crueldade nisso, parecia mais uma profunda compreensão humana , uma espécie de altruísmo o que o fazia rir daquele jeito. Rir como quem chora. Era assim que ele ria. Ou talves fosse uma outra forma de explorar os sentidos. Como quem assovia uma canção de esperança num disco sobre desespero. Ontem, ao chegar ao sítio, Dudu, o cão cego não venho me recepcionar. Na ausência do cão intui o que encontraria. Dentro da casa, o cão estava deitado aos pés de Sulli, como quem não se move, pois não há uma voz a guia-lo. Sulli tomou os remédios para o coração com pinga mineira. Acho que tinha algo a ver com explorar os sentidos. Embora o poeta estivesse morto, li para ele as noticias, como fazia religiosamente. Em sua fisionomia havia um sorriso. O último sorriso daquele homem. Liguei para as autoridades para informar a morte do poeta. Embora, eu, Sulli e o cão fossemos ateus, fiz uma oração que aprendera na infância. Me despedi do amigo morto e levei Dudu, o cão cego comigo. Não havia nenhuma compaixão neste ato. Eu apenas compreendera de súbito que todo mundo precisa de algo, mesmo um pobre cão cego, para chamar de guia.

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