Templo inpuro

Entradas do Abril 2009

sobre a natureza das coisas

Abril 30, 2009 · 1 Comentário

lepd1

 

 

__olha ali ó, é da ordem Lepidoptera. 

 

 

Quando ela disse isso, pensei que se referia á alguma confraria secreta, como a ordem dos advogados ou a ordem dos obsessivos, dessas em que os membros têm códigos para se reconhecer e graus hierárquicos que respeitam mais do que aos pais. Daí eu fiz cara de interessado e ela continuou;

 

__ É da classe dos insetos, que reúne quase um milhão de espécies. O corpo destes animais é dividido em cabeça, tórax e abdome. Animais aparentemente simples, você não acha?

 

Eu nem havia me dado conta da simplicidade daquilo. Cabeça, tórax e abdome. Na verdade, eu não sabia que o resto dos animais era mais complexo do que isso. Pra mim, tudo se resumia a estes três pontos, cabeça, tórax e abdome.  Mas havia tanta paixão em sua voz, que eu de pronto confirmei com a cabeça, movendo-a para cima e para baixo repetidas vezes.

 

__ É, mas é muito complexo o funcionamento destes animais. Você sabia que existem lepdópteros que vivem apenas 24 horas, Carlos? Em 24 horas cumprem seu dever ecológico e partem. Fecunda outro animal, põe ovos, poliniza flores, encanta olhos humanos com suas cores e seu vôo, para em seguida morrer, em via de regra, como alimento para pássaros, mamíferos, peixes…

 

É claro que eu não sabia. Quem é que sabe dessas coisas? E além do mais, porque é que alguém precisa saber disso?

Na verdade, quanto mais ela falava, mais eu começava a me interessar pelo assunto. Em questão de minutos descobri em mim, um profundo interesse por animais esquisitos. Eu não me cansava de ouvi-la falar sobre esses animais. Era isso, eu não me cansava de ouvi-la, e fosse o que fosse, despertaria meu interesse. Eu não podia deixa-la parar de falar, e quase que espontaneamente eu disse “LEPDÓPTERA”. Não sei porque disse isso, mas foi tiro certeiro. Me lembro dela saltitando de alegria e dizendo

 

__ isso, isso mesmo Carlos, você pega rápido!!!

 

Eu me senti um gênio, e repeti;

 

__lepdóptera, ordem lepdóptera!!

 

Eu havia descoberto um meio de fazê-la feliz. Era só repetir aqueles nomes. Com o tempo, também aprendi a fazer as perguntas certas, tipo;

 

__do que é que esse animal se alimenta? Como foi que sobreviveu no processo evolutivo? Como é seu processo reprodutivo? Quais seus hábitos e habitat?

 

Essas perguntas podiam ser feitas em qualquer caso. E sempre que as fazia, era como se perguntasse algo nunca pensado antes na história da ciência biológica. Ela respondia com espanto e paixão, depois me levava para seu apartamento, para consultarmos juntos as referências bibliográficas e ver alguns exemplares de sua coleção de animais exóticos. Nossas pesquisas acabavam na cama dela. Eu me tornara um aluno exemplar. Assíduo e dedicado. Em pouco tempo eu já sabia detalhes profundos sobre filos tão distintos… Eu sabia a diferença entre filo, classe e ordem e mais uma porrada de coisas… eu sabia alguma coisa, pela primeira vez na vida eu sabia algo.

Acho que já sabia tudo o que ela podia me ensinar sobre taxonomia. Estava orgulhoso disso.

Mas, como todos os animais e plantas que existem, após cumprir seu ciclo, sua missão ecológica, no caso dela, transmitir sua paixão e conhecimento pela natureza, ela partiu.

Deixou um aviso no espelho.

Acho que dizia “vou para o México com uma garota mais nova, mas profundamente interessada em vírus raros”.

Á época, me lamentei e não entendi. Me recusei a aceitar. Hoje, estou convencido definitivamente, a natureza é sábia.

Categorias: Uncategorized

você tem medo, nojo ou vergonha?

Abril 27, 2009 · Deixe um comentário

Du...sai da água porra!

Du...sai da água porra!

 

Sete dias. Enquanto nós bebíamos nossos mortos, alguém disse que com o tempo deixaria de doer. Ainda dói e revolta. Revolta.

Eu sei, tu diria: “Você tem medo, nojo ou vergonha?”

E nós brindaríamos á psicanálise.

 

A Thami escreveu uma coisa bacana…ela traduziu um pouco das coisas…um pouco:

 

“O que mais me revolta é que o DU tinha milhões de motivos pra morrer, pq ele era mto doido… doido … doido… e não tinha medo de viver todos os dias.
E foi pelo motivo mais banal que ele se foi.
Por causa de um projeto de marginal, que nem homem era ainda aquele filho da puta.
Esse desgraçado não matou somente o DU, ele arrancou um pedaço adorável de todos nós.
O DU era o pedaço espontâneo, o pedaço insano, malicioso, o pedaço mais alegre de toda a galera.
No dia 21/04/09 um pedaço de mim morreu tbm…

DU! DU! DU!”

Categorias: OUTRAS COISAS

OS VELHOS SOLDADOS NUNCA MORREM, APENAS NÃO VOLTAM PARA CASA

Abril 22, 2009 · Deixe um comentário

No dia 11 de abril, nos reunimos na casa da Mila para comemorarmos meu aniversário e a volta da Thami, que estava a um tempo em bombinhas. Na ocasião, bebemos muito e fizemos aquele churrasco campeiro. Meu amigo Eduardo elogiou muito o churrasco. E nós brindamos a nossa juventude. Lembro de sentar com o Edu e ouvi-lo dizer que estava muito satisfeito com o curso de psicologia. Eu o havia incentivado alguns anos antes a abandonar química e fazer psico. Ele agradeceu meu incentivo. Entre banalidades que conversamos, uma em especial nunca vou esquecer. O Eduardo lamentava o quanto era difícil reunir toda a galera em encontros como aquele.

Ontem, por uma cruel artimanha do destino, o Eduardo foi o motivo de um encontro que reuniu todos da geração rock’n ‘roll de maringá e região. Mas o Eduardo não estava lá. Pois é. Na madrugada passada, alguém achou que seria inteligente dar uns tiros no Edu, e tirar dele sua vida. Os babacas tentaram roubar a moto dele, e não sabemos ainda porque cargas dágua, acabaram disparando três tiros contra um cara que, como todos nós, podia ter lá seus defeitos, uma vez que era humano, mas que não consta ter feito mal a alguém em algum momento.

O Eduardo foi sem se despedir e abalou profundamente nossas convicções na vida, na justiça e nas pessoas.

No velório do Edu, eu vi as pessoas mais fortes que conheço chorando. Elas não choravam por acaso. Infelizmente nós perdemos um dos nossos melhores soldados. Por isso houve tanta comoção e revolta.

O crime foi tão bárbaro que menos de 24 horas após a morte do Edu, o delegado Marcio Amaro, junto com sua equipe, apresentava os responsáveis pelo crime.

Queria registrar publicamente minha gratidão, e falo por muitos, ao delegado chefe da policia civil de Maringá, o Sr. Marcio Amaro. Também vale a gratidão ao Eduardo Costa e ao Canário pela cobertura televisiva e cobrança, fundamentais para a solução do caso. Nós perdemos o Eduardo, e nada vai mudar isso. Entretanto, já é alguma coisa, se o crime não ficar impune. É alguma coisa. Quase nada, mas é alguma coisa. CONFORME CONSTA NO PERFIL DO ORKUT DO DU : “PAGAI O BEM COM O BEM E O MAL COM A JUSTIÇA”

Pra quem ainda não se despediu do Edu, você tem até as quatro da tarde para fazê-lo. A galera ta reunida lá no prever. A gente se vê.

 

ogaaaakzkfn-umpeu3gg4ztg2pq75y8wvbp9kbzedqbyc383ydpo5le8zfr4sug2zoxagbljt4pndaqufainwjcqsxqam1t1unwkadxn9wuktcz0cpeckcluut841

Categorias: Uncategorized

Os restos da ultima ceia

Abril 14, 2009 · Deixe um comentário

2007062400_bloguncoveringorg_projeccao_sombras_noblewebster21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há anjos por todo o lado. Claro que há. Alguns deles deixam trilhas de fumaça por onde passam. Outros só querem estar por ali. Saquei isso ontem. Meu mais profundo respeito e admiração por todos eles. O resto? São pessoas se comportando mal num mundo que não é o suficiente pra eles.  ( Marião)

“Escrever não é um ato estético. escrever é um ato de vingança ” (Matiti)

” Tem gente que exercita o próprio narcisismo quando escreve. eu exercito meu sadismo” ( Pastor Dudinha!)

 

 

Categorias: diálogos aleatórios

Be happy!!

Abril 13, 2009 · Deixe um comentário

 

 

Eu: Ta tudo errado na minha vida.

Anne maça: Ta tudo errado na vida de todo mundo. Não se preocupe!

david-field1

Categorias: diálogos aleatórios

Idas e vi(n)das

Abril 8, 2009 · 3 Comentários

comum

O Cabral fugiu de casa. O pai dele não é um cara legal.

Ele acredita ter feito à coisa certa.

 

A Cléo terminou com o Antônio. Ela ainda não superou a depressão.

Acho que a gente nunca supera certas coisas.

Agora, cuida do pai, da mãe e do tio.

Eles estão muito velhos e doentes.

Ela acredita que deus tem planos pra vida dela.

 

A Brincaleppe está com problemas de estômago.

Diz que vai fazer terapia. Fez muitas perguntas.

Eu disse que ligaria. Mas eu menti. Eu faço isso às vezes.

Não queria desapontá-la. Eu não quero desapontar ninguém.

Alem disso, não acho que ela vá esperar meu telefonema.

 

O Tiago sente ciúmes do Gustavo,

E o Gu…bem, o Gu é um garoto muito solitário.

 

Meu amigo Negão bebeu demais dia desses,

Ele se meteu numa tremenda encrenca

Acabou ferindo uma pessoa que ama muito,

Eu queria muito que a Gabi soubesse disso,

O negão te ama muito

e não há um segundo do dia dele

que ele não se culpe pelo que fez.

 

E você leitor, seja lá quem for,

Como vai sua vida?

(não leitor…não quero saber sobre tua vida. mas se te provocar uma breve reflexão sobre sua vida,

pra mim já valeu a vida toda)

Categorias: OUTRAS COISAS

NARCISO MODERNO

Abril 1, 2009 · 1 Comentário

 

NARCISO MODERNO

 

Ao deparar-se com o reflexo na água límpida da piscina, não se encantou.

Nem um pouco, na verdade.

Na verdade, ele detestou.

Lembrou, porém.

Dos olhos da mãe.

Fora naqueles olhos verdes que viu a si mesmo pela primeira vez.

De seu reflexo no espelho do banheiro. Era uma rodoviária no interior de sabe-se lá onde. Aquele espelho exibia a imagem de um jovem perturbado e viciado em coca. Aquele jovem fugia. Sempre. fugia… O espelho fazia questão de denunciar essa e tantas outras fugas.

Lembrou dos olhos de Joana, o primeiro amor.

Essas lembranças diziam algo sobre si… O reflexo que encarava na água da piscina, entretanto, mais iludia do que revelava.

Ele era o passado, concluiu.

E se angustiou com aquela constatação.

Foi somente quando as gotas de sangue – que escorriam de seus pulsos cortados- começaram a cair sobre a água e deformar seu reflexo em cores e movimento, que ele percebeu.

Aquele reflexo o revelava. De muitas maneiras o revelava.

Era muitas coisas, podia ser tudo. ‘Tudo junto e misturado’.

Só então teve uma breve noção de quem era.

Sorriu como nunca havia sorrido, afinal, fora por essa razão que fugira anos atrás, pela mesma razão cortara os pulsos minutos antes… Para encontrar a si mesmo.

Agora, aquela imagem distorcida e misturada ao sangue, lhe revelava sua identidade.  Lhe revelava algo sobre si, sobre o mundo, sobre a vida.

Era tarde, já perdera muito sangue, por sorte, não teve tempo para se arrepender.

Categorias: crônica