Templo inpuro

Entradas do Junho 2009

Junho 30, 2009 · 2 Comentários

Adriana Calcanhoto 3

Tem caras que te ajudam a erguer a cabeça.

Colocam os amigos em posições favoráveis de um jeito que possam ser removidas quando necessário. As meninas são passatempos do seu dia-a-dia… Um agrado que nunca vale a pena. São brincadeiras… nada que faça doer muito. Disputam o poder por esta ou aquela garota.. E quando comprometidos não se deixam passar desapercebidos pelos olhos daquelas que deixaram para trás.

Te provocam e não querem nada com você. Nada. É apenas pelo hábito DE.

São aqueles inseguros barbudos que fumam te olhando de lado… como quem procura uma abertura para entrar em você.

Esse tipo de cara te atrai sem você sequer pensar que é apenas mais uma manipulação dele… o objeto da noite pra ter com o que se distrair. É um cara que te toma pelo olhar sacana, de menino travesso quando faz algo errado que acha engraçado.

Te trata como se você fosse diferente das outras, uma exceção à regra que dorme sempre com ele. Te faz acreditar.

É aí que você finge que não acredita. Pensa ser mais inteligente que ele. E literalmente entra no jogo pensando ser fria o bastante para assumir esse papel.

Que ignorância. Esse tipo de cara sabe que você é ignorante. É para isso que ele apela quando te olha. Pra sua ignorância de pensar que o jogo de braço em que entrou terá um final saudável.

Nada é saudável quando se joga com as mãos de um homem e uma mulher. A paixão não é saudável e o amor exige ser doente. E isso é o bastante para quem sente.

Esse tipo de cara faz você gostar dele sem saber. Não te liga. Não te dá atenção. Às vezes finge que você nao existe. Uma natureza realmente interessante, curiosa e constante. O que dá trabalho te movimenta. Te faz viva.

É o cara que duela com você silenciosamente. Como quem fala pra si mesmo quando te olha que você é DELE. Te olha como quem te QUER POR INTEIRO e POR UMA ÚNICA VEZ.

Esses caras te marcam na pele. Não pelo sofrimento, não por não ser saudável, nem mesmo por você ter sido descartada. Isso faz parte da vida e você concordou com tudo isso.

Eles te marcam porque você muda. Te marcam porque fazem você suar. Mexem com você até você se dar completamente… até perceber que se deu.

São pessoas que talvez você não se lembre daqui uns anos. Mas que deixam a marca ali, aberta. Pronta pra sangrar denovo.

Anne.

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SOBRE EU, SOBRE VOCÊ…SOBRE NÓS

Junho 29, 2009 · 3 Comentários

img_sobre_nos

Existem caras que desligam o celular nos fins de semana. E outros planejam viagens distantes. Existem caras que desligam o despertador 5 minutos antes de soar o alarme. E há aqueles para os quais, dormir é pura perda de tempo.

Existem caras que fazem tudo em segredo. E tem gente que prefere narrar publicamente seus feitos, seus defeitos ou suas virtudes. Existem caras que rasgam dinheiro, outros caras, preferem queima-lo. Existem ainda caras que guardam o dinheiro, porque nunca se sabe, não é!?. 

Existem caras com 40 que ouvem e discutem as mesmas bandas que ouviam aos 16. Existem caras que maldizem a sorte que tem. Outros planejam viagens mirabolantes, e escrevem cartas para amigos mortos, ou editoriais em revistas de culinária. Existem caras que escrevem poemas licenciosos, outros caras acreditam no futuro do país, outros, preferem ir para a Bolívia a voltar para casa. Existem caras que moram longe demais de nossas casas e fatalmente nos provocam saudade. Existem caras que nunca descobrem onde é sua casa, e vivem por ai, meio deslocados. Existem caras que sabem qual é seu lugar no mundo, mas gostariam que as coisas fossem diferentes. 

Existem caras que abandonam tudo, e profanam a si mesmos, e sonham em ser cineastas. Outros querem apenas montar uma banda pra tocar nos finais de semana. Existem caras que deixam tudo pra ultima hora, e não pertencem à turma do deixa disso, e quando a encrenca começa, acendem um cigarro e assistem ao circo pegar fogo. Outros caras jogam lenha na fogueira, ou ligam o foda-se e vão viver suas epopéias.

Existem caras que morrem aos 21, e há aqueles que nunca chegarão aos 19. Existem caras que se apaixonam loucamente, e nunca deixam de suspeitar de suas amantes. Têm caras que idealizam amores eternos, mas nunca amam ninguém, outros caras amam todas as garotas que conhecem.

Existem caras que sonham em ser cariocas, e ouvem sambas bem bambas. Outros, acreditam que nasceram na época errada, e sabem tudo sobre Jimi Hendrix, Janis Joplin e The Beatles. Existem caras que pegam carona em viagens solitárias, outros não cumprem seus compromissos. E há sempre um grupo de caras que se acha mais especial do que o resto do mundo.

 Existem caras que escrevem depoimentos sobre os amigos no orkut, e se declaram profundos admiradores. Existem caras fiéis aos amigos, e partem pra cima quando um deles é ofendido, e compram brigas, e tomam as dores. Existem caras que compõem seus blues, outros, afirmam que não são profundos o suficiente, e preferem permanecer calados.

 Existem caras que ligam convidando pra tomar umas doses, e dividem seus cigarros, e contam piadas desconcertantes, e que nunca falam nada sobre si. Existem caras que só dizem obviedades, outros caras, sempre formulam teorias fudidas sobre tudo. Existem caras que ligam sempre, pra saber como as coisas vão indo. Existem caras que partem e não se despedem, ou anunciam sua partida minutos antes do horário do vôo. E nunca mais dão noticias. Têm caras que ligam no meio da noite pra desabafar, e outros que em noites de angústia, preferem se deitar e dizer a si mesmo, “foi apenas uma noite ruim”.

Existem caras que cometem pequenos delitos quando bebem demais. Outros caras, preferem não beber, mas participam de qualquer delito. Existem caras que criam apelidos carinhosos para os amigos, outros sempre se dirigem á eles pelo sobrenome.

Existem caras e caras, e eles cometem erros parecidos, são igualmente sagrados e profanos, o que não os torna especiais ou sacanas. Apenas tentam viver suas vidas, do jeito que julgam ser o melhor para si.  Eles são caras, como outros caras que planejam viagens distantes, e idealizam relações, e rasgam dinheiro, e escrevem poemas licenciosos….

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texto antigo, mas depois que a Anne publicou o poema dela senti vontade de publicá-lo…

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Junho 26, 2009 · 2 Comentários

Orquestra Imperial 4

Quem se apega a tudo

            E quem não se apega a nada.

Quem se apega ao nada

            E quem não se apega quando lhe mostram tudo.

Quem esquece facilmente o que sente

            E quem se mantém prisioneiro da própria mente.

Quem quer manter-se aprisionado

            E quem suplica para ser libertado.

Quem vive encurralado

            E quem gosta de ser pressionado na parede.

Quem faz do sexo uma expressão de amor

            E quem suga teu corpo até você se sentir agradecida o suficiente para se apaixonar.

Quem representa papéis no jogo

            E quem joga com os papéis representados.

Quem tem coragem suficiente para te olhar no fundo dos olhos

            E quem se debate no fundo dos olhos te olhando profundamente.

Quem permite a cicatrização

            E quem espera o último dia para novamente tirar a casquinha.

Quem brinca com as palavras

            E quem deixa as palavras brincarem com o coração.

 

O poeta sente o mundo como quem deixa que o sentimento o tome e o embebede até vomitar tudo. De uma vez só. Como quem morre por um suspiro.

Anne.

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WILD WEST

Junho 26, 2009 · 2 Comentários

paris texas-wim wenders

paris texas-wim wenders

Todo dia, ao fim da tarde, Keine limpava a carabina que ganhara de seu pai. Ele apenas se sentava na soleira da porta, acendia um cigarro de palha, e desmontava a velha espingarda. Limpava peça por peça e depois ele a montava com a paciência de quem sabe que para cada coisa no mundo, não há apenas um lugar, mas há o seu lugar, lugar que não pode ser ocupado por nenhuma outra coisa. Aquele homem, em sua vida modesta, aprendera a ter paciência porque sabia que a forma segue a função, e para todo conteúdo há um continente, e para tudo há uma hora, e esta hora um dia chegaria.

Executava este mesmo ritual religiosamente há mais de duas décadas. Era assim que ele assistia ao cair da tarde. Era assim que ele via a vida passar.

Este ritual começou quando seu único filho morreu misteriosamente. Na ocasião Keine prometeu nunca mais encarar a deus. Seu ritual tornou-se mais importante após a morte da esposa. Keine culpava a Deus por ter levado filho e esposa antes dele – é do conhecimento de todos, que a gente precisa culpar alguém por aquilo que não entendemos – Keine culpava deus, e jurou em sua última oração, ao lado do corpo da esposa, que seria o homem responsável pela morte de deus – porque também é de conhecimento geral, que fazer promessas ao lado de cadáveres, nos faz sentir-se mais dignos.

Então ele se sentava á soleira da porta e esperava deus a todo cair de tarde- deus devia ter muitas atividades durante o dia, era o que o fazia pensar que ao fim da tarde o homem de repente apareceria, após resolver suas coisas de deus- Por isso limpava bem a espingarda que ganhara de seu pai, e tinha sempre uma bala guardada para o encontro. No mais a vida passava sem remédios. Para aquele velho, a vida não tinha cura e a morte era irremediável. Keine aprendera à acreditar em cruéis verdades, e culpava a deus por isso –sim, keine culpava deus por muitas coisas-.

Keine não recebia visitas para um chá ao fim da tarde, pois não queria testemunhas presentes quando encontrasse com deus, além do que, não sabia preparar chá como a falecida esposa.

Foi assim que o tempo passou e deixou suas marcas no rosto e no corpo de Keine. Sua vida foi se enchendo de vazios, de silêncios e de desassossegos, até tornar-se definitivamente uma longa espera por um único encontro. Nada mais importava além da hora derradeira.

Numa tarde, ele se deu conta de que talvez não lhe restasse muito tempo, e temeu não realizar a vingança que prometera ao filho e a esposa. Já estava muito cansado, seu corpo já não era forte o suficiente para uma batalha. Sua visão não permitia disparos a longa distancia. Então ele decidiu que seria a última tarde que esperaria. Pensou e concluiu, se ao cair do sol deus não aparecesse, ele o encararia e faria sua justiça. Com exceção de um negro e um índio bêbados, nada mais cruzou pela estrada que passava por sua propriedade. Keine tomou coragem após dar o último trago em seu cigarro.

Montou a espingarda, verificou se a bala estava na agulha e exatamente ás 19 horas ele caminhou ao descampado e decidiu encarar a deus. Foram 20 anos sem olhar para o céu, e ás 19 horas e alguns minutos ele o fez.

Um padre encontrou o corpo de Keine na manhã seguinte, estava sem vida junto á sua carabina descarregada. Keine apresentava ferimentos por todo o corpo, o que significava que antes de morrer, ele havia passado por uma luta corporal, bem como disparado em algo ou alguém.

No enterro de Keine, o mesmo padre que o encontrou sem vida, afirmou que o responsável pela morte daquele homem inocente e com o qual a vida não havia tido nenhuma compaixão deveria ser assassinado. Mas ninguém conhecia alguém com quem Keine tivesse brigado, de modo que nunca descobriram quem assassinou aquele pobre homem. Diz a lenda.

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AMIZADE, TRAGO E ALENTO!

Junho 24, 2009 · Deixe um comentário

Bah tche, é hoje!!!

O meu, o teu, o nosso Grêmio joga hoje… jogar não, batalha…porque treino é jogo e jogo é guerra. O tricolor copeiro, habituado á façanhas e feitos heróicos, hoje enfrentará mais um desafio á altura de sua história. Não deixe de comparecer ao bora bora, novo bar e petiscaria que fica na Mario C. Urbinatti 795, e acompanhar esta histórica batalha, da qual nos orgulharemos em dizer, ésta eu vi. Lá no bora bora tu encontrarás amizade, trago e alento! O bar reúne os gremistas de Maringá e região, hoje faremos um churras durante o jogo, o Ivan Téo vai tocar suas ilíadas bêbadas e assistiremos ao jogo contra a raposa, que acontecerá lá no Mineirão…sim jogo tenso, e por isso mesmo tu deves ir apoiar teu tricolor missioneiro e copeiro!!!!

Tu és bem vindo, apareça, traga teu chima e teus trapos…cante conosco e faça novas amizades!! Viver ainda é um desafio, e pode ser um desafio fascinante!

***

O Téo toca MPB, Bossa Nova, e muitos blues… É um grande músico, poeta e ser humano, portanto, se tu não gosta de campeonatos de futebol, menos ainda do Grêmio, mesmo assim vale a pena passar lá no bora bora.

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Segunda-feira para abrir os olhos.

Junho 16, 2009 · 3 Comentários

The Rolling Stones 12

Cheguei e chorei. Chorei sem muito pensar no motivo.QUando vi já estava com as mãos no rosto e os dedos encharcados.

O que se passa por aqui?

Queria desprezar esses sentimentos. Colocar a cabeça no travesseiro e descansar.

Tem coisas que se resolvem por si mesmas. Outras deixam a desejar uma resolução que nunca vai chegar.

Me sinto uma idiota refletindo numa segunda-feira. As segundas-feiras são de praxe chatas e previsíveis. Vazias por si sós. Apenas por serem segundas-feiras.

O que se passa é uma dor que me surpreende em dias previsíveis.

O que se passa é que eu gostaria que você estivesse aqui pra eu não ter que chorar por você. Nem humilhar  minha consciência todas as manhãs.. ao lembrar que sonhei com você.

O que se passa é outra oportunidade recusada.. uma teoria mal pensada.. de que talvez pudéssemos ficar bem juntos.

Eu não vou lutar por você. Certas batalhas já estão perdidas desde o começo.

Anne

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Bora-Bora, galera

Junho 14, 2009 · 2 Comentários

Estive recentemente no bora-bora, bar e petiscaria ali na Urbinatti e gostaria de indicar pra rapaziada. Pra quem ta de saco cheio das mal criações do Marcos (manhatan), agora tu tem uma alternativa, e das boas. O bora-bora oferece petiscos e drinks que em Maringá ainda não havia visto, e olha que já vi muita coisa nesta cidade. Além disso, conta com um atendimento diferenciado. Passem por lá, aproveitem pra conhecer o Kléber e o Antonio, sócios no empreendimento, duas figuras…o Kléber é Gaucho e o Antonio é Portugues…vale a pena sentar lá e conhecer essas figuras, curtindo um AMB bem a pampa!

O bora-bora fica na urbinatti, pouco antes do bar do turco. Aos antigões, basta dizer que fica no prédio do antigo ponto G. Eu já tenho uma mesa cativa lá, pelo menos enquanto os caras não providenciam um banco pra eu ficar no balcão…vejo vcs por lá!

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Homens e Bares fechados

Junho 8, 2009 · 1 Comentário

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_ você tem uma placa de “não entre” pregada na testa.

Ela disse isso pausadamente. Acho que ela batia na porta, acho que ela queria dizer, deixa eu entrar. As coisas ficam mais complicadas quando alguém pede pra entrar. 

Não sei se há espaços em minha casa interior. Existem muitos livros, muitas músicas, muitos artigos científicos sobre a mesa do escritório. Existem muitas partidas, muitos abandonos em nossas vidas. 

_Existem muitas esquinas nessa cidade, e em cada uma delas há um bar. Deve ser impossível ir a todos os bares da cidade na mesma noite. Mas existem muitas noites para isso.

Ela não sabia o que eu queria dizer. E eu só queria dizer aquilo, por floreio, devaneio, ou falta de assunto. 

_você prefere suas companhias de gente sozinha. Os livros, os seriados legendados da fox, o game-boy. Ou você é um covarde. 

Eu só queria ir a um bar e não falar sobre essas coisas. Não responder perguntas. Não falar sobre assuntos profundos, fundamentais, seja lá para quem for. Eu só queria uma companhia para tomar umas doses. 

_eu tenho alergia á pessoas. 

Me arrependi imediatamente de ter formulado aquela piada. Ela levou á sério, teceu profundas considerações sobre a frase. Eu não entendia uma palavra. As coisas começaram a se complicar. Senti que havia uma tendência ao sofrimento no ar. Senti que alguém queria entrar pela porta, forçando a fechadura, e sentar-se a minha mesa. Alguém queria tornar-se companheiro. Alguém queria tentar a sorte, tentar ser feliz…tentar ser feliz.

Ela consentiu em ir a um bar. Eu bebi a primeira dose em um gole.

 _ Nunca tive talento pra fazer os outros felizes. Geralmente sou bem sucedido em tornar as pessoas amargas e desesperadas. Por isso imponho uma distância sustentável entre eu e o mundo. Gosto das coisas assim, me mantém longe de encrencas. 

O garçom deliberadamente me ignorava. Ela queria alguma explicação sobre sei lá o quê. Ela queria justificativas, respostas. Ela formulava perguntas. Ela queria relatórios. Por um instante eu tive a convicção de que era um interrogatório. Eu estava prestes a ser preso.

 Eu só queria mais uma dose.

Senti que as coisas começavam a se complicar. Sempre que as perguntas começam, as coisas se complicam. Sempre foi assim. Sempre.

O movimento dos braços dela começava a se tornar ríspido. Ela gesticulava e apontava o indicador em minha direção. Eu só queria outra dose.

Havia uma clara tendência ao sofrimento pairando sobre nossa mesa. 

Eu resolvi sair e interromper aquele monólogo intediante antes que as coisas se complicassem ainda mais. Disse que ia ao banheiro, ou ao balcão buscar outra dose, ou qualquer outra amenidade. Ela acreditou. Foi a ultima vez que a vi. 

Naquela noite, aquele era o único bar aberto. Não havia nenhuma placa de “não entre” na porta dos outros bares da cidade, eles apenas estavam fechados. Eu não tentei entrar. Não bati na porta. Não questionei a razão de eles estarem fechados. Acho que assim, um sujeito fica longe de encrencas. Eu prefiro as coisas assim.

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Junho 4, 2009 · 1 Comentário

 

O dia começou hoje com uma teimosia repentina

queria permanecer debaixo dos lençóis

e só deixar que o calor me acolhesse.

Por fim levantei…

absolutamente sem vida.

com raiva de mim mesma

queria arrebentar meus dedos na porta

até sangrar… pra sair um pouco dessa coisa aqui comigo.

Me desloco comovida onde devo ir

Tento ler angustiada algo que não será absorvido pela minha mente.

Queria encontrar hoje algo de bom no mundo

pra ver se acalmo esse sentido grosseiro que estou dando à vida.

Algo que adoçasse minhas relações.. e o que anda saindo pela minha boca.

Sinto algo corrosivo no meu sorriso, no meu corpo.. destruindo os tecidos..

consumindo uma identidade amarga..

impossível de ser domada.

É preciso uma dose de conhaque..

Um blues bem composto..

Um balcão alto..

E a companhia certa..

pra vomitar tanta antipatia.

Anne.

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