Você sabe quando está diante de um forasteiro. O olhar do forasteiro é distinto do olhar dos paisanos. Nem melhor, nem pior. Não é um olhar enigmático, nem triste. Na verdade o olhar do forasteiro não tem nada de mais. Mas é diferente dos olhares locais, e é só por essa razão que tu reconhece o farasteiro. Pelo olhar, que difere dos olhares locais, e consequentemente, aquilo que difere seu olhar dos demais, difere também seu modo de caminhar, gesticular…tudo no forasteiro é distinto do que se vê na província. Deve haver um lugar em que todos pensem e sinta como ele, você pensa. E é isso mesmo. Ele tem seu lugar, lugar esse, no qual tu és diferente de todos e seria imediatamente reconhecido como tal. Receberia as honras e desonras destinadas aos de fora.
Mas existem forasteiros e forasteiros. Tem gente que é turista dentro de seu próprio país, é visita dentro de sua própria casa. Pessoas que nunca encontrarão seu lugar, ou para as quais, a noção de lugar é abrangente e menos restrita, seu lugar é o mundo. Essas pessoas, onde quer que elas estejam sempre serão recepcionadas com o olhar que só dedicamos aos de fora. Esse olhar irá aos poucos moldando, aleijada, sua identidade. Por essas coisas não se deve pedir desculpas, elas apenas acontecem desse modo.