James Dean oferecia seu corpo para que os freqüentadores de um bar em Hollywood apagassem seus cigarros. O cara gostava de carros, cerveja e maconha. Afirmam por ai que sua prioridade na escola era perder a virgindade. James Dean não tinha muitos amigos. Inegavelmente era um gênio das artes cênicas.
Andy Warhol é autor da frase “todos terão seus 15 minutos de fama”. Revelou o Velvet Anderground. é o pai da pop art .Segundo Robert Hugues, Warhol era um sujeito chato e sem nada a dizer, morreu após uma operação da vísicula biliar.
Mário Quintana foi um dos maiores poetas Brasileiros, natural de Alegrete (RS). Autor de uma obra rica em sutilezas e ingenua ironia. Morreu em um quarto de hotel em Porto Alegre. O hotel foi pago com o dinheiro dos amigos.
Hugo de León, é um uruguaio nascido em Rivera, jogava uma tremanda bola, na defesa e no ataque. Foi capitão do Grêmio durante uma temporada histórica, em que o clube gaucho foi campeão da libertadores e do mundial interclubes. Hoje é representante comercial e eventualmente vai a Porto Alegre torcer pelo Grêmio. O cara ainda tá na ativa, mas é de uma outra geração, de outros tempos.
Eventualemte, me flagro pensando nestes caras, em suas vidas, suas contribuições e em suas silenciosas despedidas.
O que passava na cabeça de James Dean, enquanto dirigia seu carro em alta velocidade, no momento anterior ao acidente que tirou sua vida?
Warhol chegou a pensar que sua obra estava finalmente completa quando encarou inexoravelmente sua efemeridade?
Quintana, teria acendido um cigarro e suspirado um poema?
Hugo de León ganha os royalties, daqueles que estampam seu rosto em camisetas e bandeiras? Ele pensa nisso?
Esses caras não falavam de si mesmos por ai, sabe. Eles não tinham essa pretenção. Tudo o que se sabe sobre eles consta em biografias lançadas póstumamente( exceto no caso de Hugo de León). O que importava para eles era suas obras, seus respectivos oficios, manja?! Como se eles sentissem que suas vidas fosse só um instrumento para que o sopro de vida se fizesse sentir através de suas obras. Não através de suas pequenas mesquinharias.
Um sujeiro como o James Dean, que era completamente solitário, que não sentia-se a vontade na companhia de garotas deve ter se sentido muito só a vida toda. Porra, o maior tesão do cara era ficar lá na biblioteca daquele reverendo, deitado no chão. Ele não passava a tarde discutindo o plano economico ou os caminhos da politica externa norte-americana. Ele só ficava lá deitado no chão da biblioteca.
Não consta que ele tenha ido á imprenssa e dito “garotas, me sinto muito só”. Ele continuou sua vida, mesmo com a fama ele continuou lá, falando pouco e passando a maior parte do tempo deitado na biblioteca do reverendo. Pra ele isso era importante, e portanto, sagrado.( sem sacanagem, porra!)
O Quintana nunca deu uma entrevista dizendo algo do tipo “ah pessoal, eu queria dizer a vcs que eu ando meio sem grana sabe!? Se alguém puder passar aqui e me deixar uma quantia, poxa, eu dedico meu próximo livro e tal”. Que nada, e também nunca saiu por ai dizendo que a ABL não o reconhecia.
Em tempos de monocultura como os atuais, eu vejo isso como algo tão distante do atual universo artistico. Eu não sei se esses caras não tinham o que dizer, mas acho uma coisa nobre eles não terem dito nada, preservando assim sua intimidade. O valor que lhes é atribuido, é exclusivamente por suas contribuições. Eu não tenho uma palavra pra definir isso. Mas, no caso dos citados, é o que mais admiro, mais até do que suas obras.


