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DESENCONTRANDO UM ENCONTRO

Maio 25, 2009 · 1 Comentário

AmelieBrommer

Estou no meio do nada

Sublocando a vida de vez em quando

Como quem se satisfaz aos poucos

Rodeando as beiradas…

Tocando devagar com os lábios uma emoção infinita

Uma nostalgia de imaginação

Uma irresistível paixão

um platonismo exagerado…

 

“Eu estou me perdendo…”

 

Nos seus olhos e no seu pensamento

Num círculo provocante

Num circulo vicioso.

 “Eu estou inconstante agora?”

 Não.

Acho que o tempo passa a ser engraçado

Quando a vida exige demais

Um desencontro de tempo

Um desencontro de vida

Uma recaída. Uma saída.

 

 “Você é maravilhosa”.

 Anne Castro

 

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MATITA BLUES

Maio 8, 2009 · Deixe um comentário

matias

 

Pra certos caras

o dia começa ás dez

As dez da noite

 

A vida pulsa e exige uma ronda noturna

Pelos bares

Pelos bares da cidade

O matita sai e disseca a noite

Seus sons, suas cores…suas ruas

Como quem disseca um cadáver

Com a precisão do garoto de três anos

Que amarra o próprio cadarço

 

Essa noite

O balcão de todos os bares

Passarão por uma inspeção

Porque o matita,

O matita é o inspetor

O matita é o inspetor dos bares da cidade

 

enquanto algumas pessoas

Se acomodam

Outras…

Outras querem mais é se incomodar

E entre uma dose e outra

viver um repertório de novas histórias

Novas canções e paixões

 

Porque para certas pessoas

Todo lugar é seu lugar

E todo transeunte

É seu melhor amigo

 

Essa noite

O balcão de todos os bares

Passarão por uma inspeção

Porque o matita,

O matita é o inspetor de todos os bares da cidade

 

 

Pra certas pessoas o dia começa as dez da noite

E jamais termina

Porque algumas pessoas

Se inspiram no cinema,

Outras, dirigem o roteiro

Que criaram para si mesmas

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SOBRE GAROTAS

Março 25, 2009 · 2 Comentários

evillast_brian_viveros

 

“ Meninas boas vão para o céu.

As más vão onde querem”.

 

 

As meninas más conduzem selvagem ou suavemente

Suas vidas, o beijo, a relação ou nossas picas.

As meninas más esquecem teu nome, mas despretensiosamente,

Ligam pro teu número, só pra perguntar quem é .

Mentira, elas ligam pra te escrachar mesmo, pra te lembrar que…

Que você foi esquecido. Porque era merda demais para ser lembrado.

Depois desligam arrependidas, e saem com as amigas.

As meninas más voltam sozinhas pra casa

O fazem, como quem cumpre um rito intimo, como

Quem rele a própria biografia, pra lembrar quem realmente é.

As meninas más voltam sozinhas, na noite escura. E a pé.

Elas não querem tua carona. Nem tua companhia.

Elas não querem um babaca romântico interrompendo

Sua liturgia.

As meninas más… depois de um tempo contigo,

Elas não te dão perfume francês,

Só porque você tem “cheiro de machinho”

E pra elas, isso basta.

Para essas garotas, tanto faz se você faz economia na usp,

fala três idiomas, ou é semi-analfa.

Porque elas não querem um cara super refinado, com bons modos

E que tenha lido a obra completa do Machado.

Pra elas isso não significa nada.

Se você leu o texto até aqui, você não é uma menina má,

Porque uma menina má jamais perderia seu tempo

com um texto sobre “meninas más”

Elas não perdem tempo com coisas sobre si mesmas.

Na verdade as meninas más, elas temem… mas só querem

Se apaixonar.  Se apaixonar perdidamente de preferência.

E dividir a conduta de suas vidas, do beijo, da relação… e voltar

Pra casa de mãos dadas.

Mas elas não falam sobre isso.

Elas jamais admitiriam isso.

Jamais.

 

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Jazz coffee e o inverno em Montreal

Setembro 15, 2008 · Deixe um comentário

Em Montreal faz frio todos os dias do ano

Eu freqüentava um jazz coffee na periferia

Porque gostava do silêncio e do isolamento

Que o frio nos impunha.

Em Montreal não é exagero dizer que

todos os dias são noites, e chega a ser redundante

dizer “inverno rigoroso”.

Eu era muito feliz em Montreal,

Com aquele scoth e aquela loira ingênua

E curiosamente sorridente.

Não há pretensões no inverno, não em Montreal.

O cachorro, a casa com cercas brancas, o jardim

Cuidadosamente planejado…

Essas besteiras não significam absolutamente nada

No inverno em Montreal.

Não se quer companhia ou alento.

Talvez por isso, eu não tenha ligado um mês depois

Quando me dei conta de que a loira sorridente não aparecia

Mais. Eu só me dei conta disso um mês depois.

Eu era um sujeito feliz no inverno em Montreal,

Como fui feliz aos arredores do monumental.

No inverno em Montreal, as pessoas não pensam

Em coisas tristes.

As pessoas são bem esquisitas em Montreal,

Ou talvez, apenas diferentes.

Mas no inverno, em Montreal, a gente nem repara

Nessas coisas.

Muitas coisas perdem em sua relevância quando

Se está ocupado em descongelar os dedos. Ou o nariz.

Talvez por isso, a gente tava sempre feliz,

No inverno em montreal.

 

 

convem ler ao som de blue moon de Billie Holiday

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A ESTRADA, por Cormac McCarthy

Setembro 2, 2008 · Deixe um comentário

Quando não houver mais nada no mundo, nenhum sentido em estar vivo, o que restará ao homem? Seguir em frente, sempre em frente – eis a resposta do americano Cormac McCarthy, 74 anos, em A Estrada .

Bah, tive a oportunidade de ler trechos do senhor em questão, tenho a dizer que desde J. D. Salinger, este modelo de ver e narrar andava muito raro, inexistente talvez. Mas eis que surge este monstro do realismo fantástico…só lendo pra entender, assino em baixo e aposto meus culhões em McCarthy!

confiram o breve trecho de A Estrada, ultimo romance publicado pelo autor;

Lembranças do apocalipse

Atravessaram a cidade ao meio-dia. Estava quase toda queimada. Nenhum sinal de vida. Carros na rua incrustada de cinzas, tudo coberto de cinza e poeira. Rastros fósseis na lama seca. Um cadáver na soleira de uma porta seco feito couro. Arreganhando os dentes para o dia. Ele puxou o menino mais para perto. Apenas se lembre que as coisas que você põe na cabeça ficam lá para sempre, falou.

Você se esquece de algumas coisas, não se esquece?

Sim. Você se esquece do que quer lembrar e se lembra do que quer esquecer.

sacou, chapinha?

quer mais, tem aqui ó:

 

A Estrada

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Gaudério dos Pampas (saudade do chão missioneiro)

Agosto 27, 2008 · Deixe um comentário

 

  

 

 

 

Longe de um Porto Alegre. Longe de qualquer Porto Seguro.

Longe daquele sorriso matreiro e faceiro.

Sólito como jamais havia imaginado.

Por ser índio resolvido não especulava,

apenas seguia.

Em noites razoáveis sentia-se próximo á sua querência,

jurava que podia sentir soprar o minuano.

Mas noites razoáveis eram raras.

Nas noites que passavam igualitas, um blues bem loco

Resolvia a parada.

O chamamé também trazia acalanto,

E apresentava-se com certa elegância,

Mas elegância nada tem a ver com sobrevivência.

Com nenhuma delas.

 

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REED E CALE CANTAM PARA ANDY WARHOL

Agosto 12, 2008 · Deixe um comentário

 

A gente tem mesmo essa mania prudente de evitar os orelhões da cidade, a ficha no bolso, verdades descendo como dinamite pela garganta. A gente, sem dúvida, tem essa mania idiota de se sentar na mesma fila que a outra pessoa e não olhar para ela. Porque aprendemos com o tempo que ignorar nos deixa longe de encrenca. Só não aprendemos que sem encrenca e essa garota de caninos salientes que deixa marcas profundas em nosso pescoço e que exige envolvimento não há felicidade. A gente alimenta mesmo esse medo imbecil de esparramar os talheres na mesa. Porque nos ensinaram que confissão só mesmo atrás de uma grade de madeira ou sob porrada. Por isso marcamos tanto, deixamos pra lá. A dinamite explode no estômago e a gente então apodrece conformado, egoísta com um disco de jazz, um cachorro e uma garotinha, a filha da vizinha, preparando o café. Em algum lugar, alguém na mesma situação precisando ouvir coisas que a gente precisava dizer. Lou Reed só se tocou quando estava lá, no funeral. O corpo de Andy, seguramente ainda mais pálido, parecia dizer: “E então, Lou? Você está aí. Acabei de apostar com Jim Morrison que você não ia aparecer”. Então Reed olhou para John Cale e falou: “Acho que precisamos fazer alguma coisa”. Fizeram 14 canções. Lou Reed vomitou dinamite, vísceras e flores. Emocionou quem o ouviu na igreja de St. Ann no aniversário da morte de Andy. O homenageado talvez não se emocionasse tanto, é que ele preferia as coisas diferentes, afinal foi Andy quem descobriu Lou e sua gang, um grupo tão obscuro quanto o nome (Velvet Underground) tocando num lugar também obscuro, o Café Bizarre no Greenwich Village, e os convidou para que fizessem parte de um espetáculo que estava preparando, o “Andy Warhol-up tight” que depois passaria a ser chamado de “Explosão Plástica Inevitável”, foi ele também que produziu o primeiro disco do Velvet e desenhou a capa, a famosa capa com a banana, mas depois Lou acabou por afasta-lo da banda assim como afastou John Cale e Nico. Lou Reed nunca mais quis saber de Andy. Em seu diário (lançado no Brasil pela L&PM) Andy queixa-se que Lou Reed não lhe telefona mais, não o convidou para seu casamento, senta-se na mesma fila que ele e o ignora. Andy escreveu: “Eu odeio Lou Reed cada vez mais”. Nas 14 canções, um Lou Reed friamente emocionado, como só Lou Reed poderia ser tenta se retratar e recuperar o tempo perdido. Ele escreve em Starlight: “Telefone logo antes que a gente se mate de conversar”. É uma confissão tardia, porém dolorida, sincera, estilhaços de frases que não foram ditas no momento oportuno. O poeta e seu poder de, mesmo sendo canalha, ainda assim, emocionar. A Rede Bandeirantes, mostra hoje a noite essas 14 canções (o disco já está a venda). Quem quiser se tornar testemunha dessa confissão emocionada, basta mudar de canal, não é pedir muito, visto as bobagens que vão estar passando nos outros. Mas se você está a fim de virar personagem, faz o seguinte: mata aquele resto da garrafa de conhaque, bate na porta da casa daquela pessoa, aí quando ela abrir, você diz: “E aí, como é que é? Eu não te vejo a tanto tempo, tem algumas coisas que eu tava querendo te dizer. Eu sei que pode ser um pouco tarde, mas tenta entender, é assim que sou”.

do livro; Gutemberg Blues, de Mário Bortolotto.

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Tantos Blues, tantos Blues…

Julho 2, 2008 · 2 Comentários

O Blues deve ser escrito pra quem tem vida interior.

Para aqueles que não estão surdos para o mundo,

mas vivem seus personagens.

Pra quem acende um cigarro e apaga seus fantasmas;

O blues…o blues é para aquele homem que escreve cartas

e não envia, simplesmente porque não tem

para quem enviar.

O homem que insinua e segue.

Pra quem apostou suas últimas fichas no cavalo errado.

Pra quem não lamenta, não sorri e não conta vantagens.

Saber exatamente quem tu és, conhecer em profundidade

seus abismos é estar apto ao blues.

Gente feliz demais. gente feliz de menos.

Gente assim não manja xongas de um riff de blues.

Quem geme, esperneia e pede colo, menos ainda.

Porque o blues é o que sobra pra quem perdeu tudo.

É a musica que não quer ser erudita ou popular.

Como o cara que aceita suas trapaças e suas derrotas.

Ou o amigo que a turma toda inveja e admira e que

é o cara mais covarde e solitário. Mas ninguém sabe disso

Exceto ele. E ele sabe disso muito bem.

Porque algumas dores, ou , alguns golpes doem mais

do que o sujeito pode suportar. Nesses casos ele não grita,

Não chora, não protesta. Ele não conta pros colegas

Do escritório. Eles não entenderiam.

Nesse caso ele aciona velhos entendedores. Ele aperta play

E se permite uma espécie de fuga para si mesmo.

Se o sujeito ouvisse blues desde criança, certamente seria um adulto mudo.

Mudo e satisfeito. O blues comunica por ti. E você

está tão habituado a ser sincero que não tenta

comunicar-se com quem não compreende tua linguagem.

Porque simplesmente respeita isso nos outros e não

os incomoda com um idioma que não dominam.

Claro, você vira uma ilha, mas aquela ilha

que nunca se curva diante do império.

Infelizmente tu não ouve blues desde criança. E isso

porque terá de viver as perdas e danos necessários.

Terá de enfrentar um mundo que o convencerá

que tu não é parte dele. Aí sim, feito isso,

O blues fará sentido pra ti.

…com admiração e gratidão, para Mario Bortolotto

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