Templo inpuro

S3

Agosto 31, 2009 · Deixe um comentário

Eu cruzava a cidade levando chocolate e flores. Nunca atrasei. A encontrava e declamava poemas sobre sua beleza, poemas que eu mesmo compunha no caminho. Eu acreditava em sua beleza, na beleza daquela relação. Eu acreditava em tudo. Quando ela partiu, prometi a ela que estaria sempre á uma distância curta o suficiente para ela percorrer antes de matar uma garrafa de vodka. Eu fiz a promessa porque no intimo sabia que ela voltaria.

Depois de 3 anos ela veio até minha casa. Chegou de porre, duas garrafas de vodka vazias numa sacola, e uma pela metade na mão direita. Reclamou da distância me lembrando da promessa sobre a distância proporcional á garrafa de vodka. Lamentei, disse que eram outros tempos, o presente eventualmente trai o passado…meu negócio agora é tequila. Ela apenas sorriu e disse

__Eu discordo, acho que tu acabas de provar, o presente nunca trai o passado.

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S2 ( TEIA DE SIGNIFICANTES II)

Agosto 28, 2009 · Deixe um comentário

Paul montgomery é um ex-pugilista, atualmente, viciado em turfe. Para ele, tanto o boxe quanto o turfe são expressões artisticas. Willian P., um renomado critico de arte formado pela Berkeley University, discorda completamente de Paul, muito embora nunca tenha lutado, assistido uma corrida de cavalos ou composto uma canção.

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OS AMIGOS MANDAM AVISAR!!

Agosto 27, 2009 · Deixe um comentário

SEGUINTE RAPAZIADA, MINHA AMIGA TAISE PEDIU PRA AVISAR:

Dia 29.08
ESQUENTA JURUPINGA!

PRÉ LANÇAMENTO DA FESTA DA JURUPINGA II, que será realizada no final de ano!

* Dose Tripla de Jurupinga a noite toda!
* 1 Hr de Open Brahma ( das 22.30 as 23.3o )

* TNT Acústico ( pop rock)
* Marcos Paulo e Vinicius ( sertanejo – Colorado/PR)
* Por Acaso (pagode)
* DJ Igora Boca ( funk )

Convites antecipados e limitados:
1° lote – R$ 15,00
2° lote – R$ 20,00
3° lote – R$ 25,00
camarotes: R$180,00 ( 5 convites + garrafa smirnoff)

QUEM AINDA NÃO ADIQUIRIU O CONVITE, PODE ENTRAR EM CONTATO COM A TAISE, PELO TELEFONE 9106-O723

EU VEJO VCS POR LÁ!!!

esquenta jurupinga4 copy

 

TU ACHOU QUE ERA SÓ BEBIDA A NOITE TODA…QUE NADA, TEM AINDA AS ATRAÇÕES MUSICAIS:

recorte verso

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teia de significantes I

Agosto 26, 2009 · Deixe um comentário

os caras do escritório questionam a competencia do gerente da firma e conspiram ás escuras contra ele. Se ele é ou não capaz ou apto ao cargo que ocupa não faz a menor diferença. Não é nada pessoal, podia ser com qualquer um de nós, e um dia será contigo. O grupo precisa de bodes expiatórios e inimigos para perseguir.

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passando recibo

Agosto 16, 2009 · Deixe um comentário

RAPEIZE, queria agradecer algumas pessoas que andam me escrevendo questionando a ausencia de posts por aqui. deixa eu explicar. Acontece que eu particularmente ando muito confuso, então leva mais tempo pra publicar as coisas…passo mais tempo lapidando os textos, amadurecendo eles e tals. Sempre fui confuso, mas agora é diferente. quanto a Anne, bem, minha amiga Anne tá em Tupã e quando ela vai pra lá ela costuma ficar entediada pra caramba. as vezes ela fica entediada e inspirada, mas é mais comum ela só ficar entediada, daí o motivo de ela tambêm não publicar por aqui. Maaaaaaaas, em breve as coisas voltam a fluir, porque isso aqui sempre brilhará. A gente andou felando sobre a monotemática do blog, e acho que algumas coisas vão mudar por aqui…deixa pra depois.

aos amigos, tudo certo rapeize. tenho ouvido musicas e lembrado de vcs…como essa do Celso Blues Boy

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Selecionando…

Agosto 13, 2009 · 3 Comentários

Ando querendo saber demais da vida. Insegura… e impotente diante do que quero, reservo os dias em casa, olhando da janela as pessoas tão cheias de si nas ruas, invejando-as por conseguirem caminhar daquela maneira.

Ultimamente não suporto ouvir uma música até o final, não consigo prestar atenção em certos diálogos, nem comer uma boa comida. Não consigo escrever, nem tomar um longo banho quente para relaxar a coluna.

Tenho pensado que talvez a vida possa passar desse jeito, sem sucesso nem movimento. Tenho pensado que a vida é desnecessária para quem fica no mesmo lugar ouvindo uma canção romântica no canto da casa. Tenho estado tranqüila, quase fria demais pensando na morte dos meus dias.

Preservando carinhos e imagens, consigo sobreviver de nostalgia, quase uma alucinação. Como se eu estivesse deitada na cama, olhando na parede vários momentos da vida sem me incomodar com o fato de os lençóis estarem sempre frios.

Tenho tomado cervejas sem sentir o gosto. E hoje tanto faz a marca. São todas cervejas sem gosto, sem álcool, sem as provocações com as quais estava acostumada. Quente, gelada, dá tudo no mesmo vazio do estômago.

Cheia do meu próprio ritmo, pareço me vitimizar por toda essa insensibilidade irreversível. Pareço. Não sou vítima. Acho mesmo que sou culpada por toda essa mesmice chata. Sinto o azedo na garganta e as mãos ásperas de quem não sente há muito tempo algo que valha a pena.

Eu confesso…

Detesto viver no controle. Detesto quando posso selecionar claramente, sem arrepios nem confusões, as questões da vida. Odeio ouvir músicas sem ter o que imaginar. Odeio quando me dão tempo para pensar. Odeio quando ninguém invade a minha vida de um jeito arrasador. Odeio tomar decisões tão claras a ponto de não querer mais voltar atrás delas.

Ah! Que desperdício!

Melhor mesmo é beber qualquer coisa e voltar para os lençóis frios.

Anne.

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o dia em que Rudah encontrou deus

Julho 23, 2009 · Deixe um comentário

A crônica a seguir, foi pubicada em 03/11/2006, não sei mais se no sogive, no nonsense ou no oliveira bla bla bla. Por quê a republico agora? bem, é que não vejo o Rudah há coisa de anos…e me bateu uma imensa saudade do nosso amigo neurótico e angustiado, o Rudah. Acho que ele já se mandou pra Porto Alegre, não sei…mas perdi contato com meu amigo. Republico por essa razão, egoísta dirão alguns, mas legitima, me defendo eu daqui. Se por ventura, alguém ai tiver contato com o Rudah, diga-lhe para mandar-me um e-mail…to com muita saudade do ‘galo cego’. Rudah, onde quer que tu estejas, nobre errante, te desejo todo o sucesso do mundo.

Republico o texto na integra e sem correção…sei lá…deixa os erros e a falta de ritmo ai…elas tbm me lembram do meu amigo…que por sinal, gostava muito deste texto.

maquina

 

03/11/06

baseada em fatos reais, a cronica quentissima;RUDAH ENCONTRA DEUS

Há muito tempo temos por tradição, eu e o Rudah, dar uma passada no bar do Moacyr aos domingos, para chacoalhar a poeira da semana que passou e receber a semana que começa á despontar no relógio, com fôlego novo. De certa feita, o Rudah não deu as caras. Eu o conheço a tempo suficiente para saber que algo importante estava acontecendo, o Rudah prima pelo método, é um homem sistemático e respeita tradições.  Jamais se ausentou das reuniões de domingo sem ter para tanto uma boa razão, que ele fazia questão de me dizer qual era, em telefonemas que anunciavam sua possível ausência momentos antes do horário marcado para o encontro no bar. Ele fazia questão de dar satisfação e se lamentar por não poder ir. Desse modo, o conheci e aprendi a respeita-lo, gostava do respeito com que tratava os nossos encontros dominicais. Desse modo também, me espantei ao me dar conta de que ele não viria naquela noite, pois já passava de seu horário habitual, neste momento, temi que algo sério estivesse acontecendo, ele não havia telefonado para me precaver de sua ausência. Pensei no pior, ele nunca deixava de aparecer, a não ser por razões dignas de respeito, tais como; falta de grana, ou, um eventual encontro com deus.
Doses à mais no corpo e na alma, a noite acabou, me mandei pra casa. A semana passou e acabei esquecendo a preocupação que me acometeu no bar, domingo seguinte, lá estou eu novamente no bar, quando o Rudah chega, e já vai logo se explicando;

___ Cara, foi mau domingo passado, mas é que eu encontrei Deus, e tive o maior papo com ele.

Disse o Rudah, que me espantou com essa afirmação, afinal não é todo dia que se encontra deus por ai, há quem o procure incessantemente durante toda a vida sem nunca encontra-lo, e ele resolve aparecer logo ao Rudah, que é ateu desde sempre, e justo na hora da nossa sagrada reunião no bar. Havia muito a perguntar, muito a entender, e eu comecei pela pergunta mais óbvia em situações como essa;
__Que droga tu usou domingo passado, guri?
A pergunta era desnecessária, o cara nunca foi chegado em droga nenhuma, com exceção de sua insistência em ouvir nirvana.
Ele começou a contar, e me disse tudo sobre seu encontro com deus;
Quando encontrou Deus pela primeira vez, logo se deu conta de que estava diante do criador, percebeu ainda, não estar vestido á caráter, pois mesmo um ateu sabe reverenciar uma ocasião desta dimensão. Percebeu que se tratava de deus porque este era detentor de uma voz tonitruante, mas não ensurdecedora, feição imponente, vestia-se com calça bege e uma camisa listrada, deus é um sujeito discreto, me disse o Rudah. Não é muito esbanjador, á não ser no discurso, conforme já nos foi ensinado desde sempre. deus não é tão fodido como costumam falar os pastores por ai, é até um sujeito comum, feito mesmo, conforme constatou o Rudah, a imagem e semelhança do homem.
E tiveram uma grande discussão no hall de entrada do paraíso, que foi descrito pelo Rudah como um imenso botequim, cujas estantes além de bebidas ostentavam vasto acervo de livros, como o Rudah nunca havia visto, além disso, as mesas eram muito bem freqüentadas; á esquerda da mesa em que estava meu nobre amigo, havia uma mesa ocupada por Marx, Erich Fromm e Freud, á direita, sentavam-se Nietzsche e Sócrates numa discussão calorosa que a todos perturbava, mas ninguém se metia naquele embate pois eram freqüentes discussões calorosas por ali. As mesas eram servidas por lindas e sensuais mulheres que não pareciam ganhar muito bem, uma vez que não usavam muitas roupas, devia ser caro vestir-se no paraíso, coisa que não incomodava muito a Marx, menos ainda a Nietzsche que não parava de olhar em direção as garçonetes que passavam para bem servir seus clientes.
Havia música ambiente inclusive, segundo o Rudah que lá esteve, havia um pianista anão, que tocava Miles Davis, John Coltrane com maestria e perfeição.
A esta altura do campeonato eu já o havia desculpado por sua ausência no encontro anterior, afinal, motivos não faltavam para ele permanecer naquele botequim, tão bem freqüentado no paraíso.
E tiveram rudah e deus, uma tremenda discussão acerca da criação, discussão esta, na qual deus parece ter levado a melhor. Mas, em beneficio de meu amigo, tenho a dizer que se deus ganhou no embate filosófico, perdeu nas doses, ao fim da discussão deus estava embriagado, pagava rodadas industriais aos presentes, cantarolava uma canção do Jobim, e passava mão na bunda de todas as garçonetes que por ali passavam. Em seguida, foi gentilmente retirado do bar pelos seguranças, que zelavam pela imagem e reputação do todo poderoso. O Rudah ficou lá bebendo até o bar fechar, três séculos depois. No céu o tempo voa, disse o rudah. Saiu de lá meio de porre e foi pra casa.
Depois disso eu e o Rudah nos convertemos e agora somos dois bons sujeitos, ocupados em fazer o bem a fim de ir ao céu, encontrar aquele belo botequim tão bem descrito pelo Rudah.

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“My baby shot me down.”

Julho 20, 2009 · 1 Comentário

Saiu me dizendo que não suportava mais os meus delírios. Tinha nojo do meu corpo, da minha bunda e dos meus seios perfeitinhos.

Cheguei a um ponto que aquilo não era mais um insulto. Eu o amava e o resto não importava. Nada mais me incomodava. O cheiro de cigarro não saía mais após o banho, o suor do trabalho permanecia após o jantar, a saliva grossa pela bebida já não fazia diferença na minha boca. Aquele homem me comprometia.

Eu costumava dançar para ele… E tudo ia bem. Ele acariciava delicadamente minha lingerie. Desabotoava cuidadosamente a minha blusa. Sussurrava nas melhores curvas. Beijava-me como se eu fosse a única mulher do mundo.

Eu era boa pra ele.

Nunca entendi sua agressividade. Eu me preocupava em organizar cada detalhe do dia… cada livro na estante. Acordava cedo, arrumava o cabelo e me perfumava. Fazia seu café, levava até a cama e o mantinha acordado por mais 20 minutos antes de cuidar de todo o resto da casa.

Depois de alguns anos não me lembro mais do seu nome, da sua família, da sua mulher nem dos seus filhos. Tudo virou meu e assim ficou. Nada mais pertencia a ele. Era a minha rotina, o meu homem, a minha comida.

Eu sabia que estava doente.

A casa na realidade era imunda. Meu cabelo, por mais que lavasse, continuava oleoso. Sem cor definida. Nada mais o tocava. Minhas mãos, bem… já não serviam para muita coisa por ali. A delicadeza de repente me causava enjôo. O importante era permanecer. Como uma história muito ruim para terminar, eu permaneci.

Entenda que eu me esforçava pra deixar tudo limpo… seguro para quando ele voltasse. Eu o entendia. Pelo amor de Deus, eu suportava toda a sua sujeira! Qual era o problema dele? Eu era perfeita.

Não sei em que ponto exatamente perdi o raciocínio, a organização. Quando vi a casa estava vazia e a luz não acendia. Fui atrás dele, implorei por um último beijo e ele concordou. Foi como se alguém olhasse tudo dentro de mim e tivesse a coragem de dizer que se envergonhava. Aquele beijo arrancou-me algo. Arrancou-me a vida.

O desgraçado me sugou cada gota de sentimentalismo. Esvaziou minha beleza, meu humor, minha gratidão. A única coisa que via como verdadeira no momento era a minha ridícula tentativa de, ainda assim, sentir prazer. Acho que o vento que suavizava meu rosto naquela esquina desajeitada me proporcionou o orgasmo mais cruel e prazeroso que eu poderia sentir como ser humano. Tudo ficou em equilíbrio por alguns instantes.

Não me restava mais nada. Chorei por longos 10 minutos.

Sabe… o amor é humilhante.

 Anne.

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O nome omitido do hino nacional

Julho 17, 2009 · Deixe um comentário

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___ Eu não sou muito de ficar namorando

Sua frase dispensava qualquer apresentação. Era exatamente o que eu precisava, e foi a forma dela dizer a que viera.. Um cínico talvez dissesse, “ Merda, dinheiro não compra amor?Então pra que serve?”. Eu não queria comprar amor.

Ela parecia uma atriz declamando um texto decorado, devia dizer isso todas as noites, muita vezes na mesma noite. Hoje eu era o publico, e o palco improvisado e mal iluminado era um quarto de motel dos mais baratos dessa cidade imunda.

 __ Eu não sou muito de ficar namorando.

 Não soava natural, como não era natural aquele cabelo vermelho, pintado as pressas com tinta vagabunda. Aquela pobre mulher, sem saber, acabara de me dar um retrato emocional dos homens que a procuravam. Dos homens que a milênios as procuram . Eles pagavam por companhia, a procuravam para “namorar”, pagavam por carinho, muito raramente por sexo. Eu pagava para que elas fossem embora, mas eu não posso ser uma referencia, era uma exceção.

Eu pedi a ela para calar a boca. Eu mandei, disse assim, na lata; “cala a boca, porra”

 Ela ficou calada e começou a soltar o cabelo. O cabelo dela devia estar imundo…parecia pesado e oleoso. Mas eu não estava em condições de barganhar, convidá-la para um banho.

 Lembrei que depois do sexo ela pegaria seu dinheiro e iria embora, o que me acalmou.

Aquela mulher nunca iria discernir John Coltrane de Miles Davis, Bob Dylan de Frank Zappa…mas fazia malabarismos impressionantes com uma pica entre as pernas. É claro que ela não havia feito aulas de balé durante sua vida miserável. Contudo tinha a flexibilidade de uma ginasta Russa. E era decadente. Uma decadência que se fazia presente em seus olhos, seus gestos e seus gemidos friamente calculados. Havia desespero demais naquele gemido, o que me fez pensar em lhe pagar umas doses. E pagar para ouvi-la contar suas histórias, sua vida. Pensei em lhe fazer promessas, em demonstrar indignação ou compaixão.

 “ O Brasil não pode dar certo, é o único pais em que cafetão sente ciúmes, traficante é viciado e prostituta se apaixona”.

 Era o que dizia o sindico. Negócios são negócios. E a miséria não era restrita á quem vendia o corpo, também é miserável quem paga por sexo, por carinho ou para ter sua privacidade e silêncio restabelecido. Senti mais pena de si mesmo do que daquela pobre e miserável vadia.

Ela jamais entraria para a história da humanidade por seu incrível boquete. E muito embora a história esteja marcada por esses gemidos dissimulados, estes não constam em nenhum hino nacional. A história do cristianismo está manchada com esse batom barato (o que fazia Maria Madalena para ganhar seus trocados?), ainda assim, aquela pobre mulher, bem como suas colegas de oficio estavam fadada ao esquecimento.

Ela certamente já fizera mais por homens desesperados do que a maioria dos políticos, padres, pastores, amigos, compositores ou homens públicos que pisaram na terra.

Não existem monumentos ás prostitutas nas praças que conheci, embora as praças sejam notoriamente delas, dos traficantes, viciados e velhos. Já vi esculturas formidáveis encomendadas em homenagem aos crápulas mais dementes que a história registrou. Nunca a estas pobres criaturas que sobrevivem de nossa eterna e incurável solidão.

O que uma prostituta ensina sobre antropologia, sociologia e psicologia não consta em nenhuma biblioteca virtual ou concreta. A psicanálise deve a elas um monumento, a noção marxista de luta de classes encontra nelas seu maior referendo, o principio mercantil da livre competição só faz sentido quando essas criaturas aparecem na equação.

Tudo isso me ocorreu enquanto ela gemia como uma gata no cio sob meu corpo. Diante do meu gozo, tão falso como tudo naquela mulher, ela segurou a base do meu pau com cuidado, a fim de evitar que o preservativo se rompesse ou sei lá o quê. Ela parecia uma fiscal do ministério da saúde cuidando para que não houvesse problemas com doenças venéreas ou gravidez indesejada.

Fui obrigado a pagar o dobro do preço de tabela, porque ela me convencera definitivamente e sem dramas, floreios ou devaneios, que solidão não é um estado de quem se encontra só, mas uma condição daquele que mesmo acompanhado não se sente como tal, solidão é uma condição interna do indivíduo, uma consciência assustadoramente cruel acerca da existência humana. Aquela prostituta já tivera centenas de homens, mas sabia que tudo e todos eram passageiros, efêmeros, como um orgasmo. Ela sabia que o mais próximo que podia chegar do paraíso e da perfeição era isso, um orgasmo, que não dura mais do que alguns segundos…mesmo os mais intensos, que se prolongam noite adentro…mesmo estes, acabam por fim. Essa era a maior contribuição dada ao homem, uma breve estadia aos arredores de um paraíso artificial. Aquela pobre mulher me ensinara o que a filosofia ocidental não continha em todos os seus tratados. Foi por isso que paguei, não pelo sexo, companhia, ou para que ela fosse embora e me deixasse em paz com meu exílio auto-imposto, paguei pela lição histórica e humana que acabara de receber.

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Praia de jornalista é bar

Julho 10, 2009 · Deixe um comentário

Meu Amigo Murilo promove, junto com os alunos do quarto ano de Jornalismo do cesumar, uma festa lá no MPB bar. A  julgar pelo nome da festa, será imperdivel;

folder 

quem quiser convites, ligue,  pro Murilo, o celular dele é 9961-6356

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