A crônica a seguir, foi pubicada em 03/11/2006, não sei mais se no sogive, no nonsense ou no oliveira bla bla bla. Por quê a republico agora? bem, é que não vejo o Rudah há coisa de anos…e me bateu uma imensa saudade do nosso amigo neurótico e angustiado, o Rudah. Acho que ele já se mandou pra Porto Alegre, não sei…mas perdi contato com meu amigo. Republico por essa razão, egoísta dirão alguns, mas legitima, me defendo eu daqui. Se por ventura, alguém ai tiver contato com o Rudah, diga-lhe para mandar-me um e-mail…to com muita saudade do ‘galo cego’. Rudah, onde quer que tu estejas, nobre errante, te desejo todo o sucesso do mundo.
Republico o texto na integra e sem correção…sei lá…deixa os erros e a falta de ritmo ai…elas tbm me lembram do meu amigo…que por sinal, gostava muito deste texto.

03/11/06
baseada em fatos reais, a cronica quentissima;RUDAH ENCONTRA DEUS
Há muito tempo temos por tradição, eu e o Rudah, dar uma passada no bar do Moacyr aos domingos, para chacoalhar a poeira da semana que passou e receber a semana que começa á despontar no relógio, com fôlego novo. De certa feita, o Rudah não deu as caras. Eu o conheço a tempo suficiente para saber que algo importante estava acontecendo, o Rudah prima pelo método, é um homem sistemático e respeita tradições. Jamais se ausentou das reuniões de domingo sem ter para tanto uma boa razão, que ele fazia questão de me dizer qual era, em telefonemas que anunciavam sua possível ausência momentos antes do horário marcado para o encontro no bar. Ele fazia questão de dar satisfação e se lamentar por não poder ir. Desse modo, o conheci e aprendi a respeita-lo, gostava do respeito com que tratava os nossos encontros dominicais. Desse modo também, me espantei ao me dar conta de que ele não viria naquela noite, pois já passava de seu horário habitual, neste momento, temi que algo sério estivesse acontecendo, ele não havia telefonado para me precaver de sua ausência. Pensei no pior, ele nunca deixava de aparecer, a não ser por razões dignas de respeito, tais como; falta de grana, ou, um eventual encontro com deus.
Doses à mais no corpo e na alma, a noite acabou, me mandei pra casa. A semana passou e acabei esquecendo a preocupação que me acometeu no bar, domingo seguinte, lá estou eu novamente no bar, quando o Rudah chega, e já vai logo se explicando;
___ Cara, foi mau domingo passado, mas é que eu encontrei Deus, e tive o maior papo com ele.
Disse o Rudah, que me espantou com essa afirmação, afinal não é todo dia que se encontra deus por ai, há quem o procure incessantemente durante toda a vida sem nunca encontra-lo, e ele resolve aparecer logo ao Rudah, que é ateu desde sempre, e justo na hora da nossa sagrada reunião no bar. Havia muito a perguntar, muito a entender, e eu comecei pela pergunta mais óbvia em situações como essa;
__Que droga tu usou domingo passado, guri?
A pergunta era desnecessária, o cara nunca foi chegado em droga nenhuma, com exceção de sua insistência em ouvir nirvana.
Ele começou a contar, e me disse tudo sobre seu encontro com deus;
Quando encontrou Deus pela primeira vez, logo se deu conta de que estava diante do criador, percebeu ainda, não estar vestido á caráter, pois mesmo um ateu sabe reverenciar uma ocasião desta dimensão. Percebeu que se tratava de deus porque este era detentor de uma voz tonitruante, mas não ensurdecedora, feição imponente, vestia-se com calça bege e uma camisa listrada, deus é um sujeito discreto, me disse o Rudah. Não é muito esbanjador, á não ser no discurso, conforme já nos foi ensinado desde sempre. deus não é tão fodido como costumam falar os pastores por ai, é até um sujeito comum, feito mesmo, conforme constatou o Rudah, a imagem e semelhança do homem.
E tiveram uma grande discussão no hall de entrada do paraíso, que foi descrito pelo Rudah como um imenso botequim, cujas estantes além de bebidas ostentavam vasto acervo de livros, como o Rudah nunca havia visto, além disso, as mesas eram muito bem freqüentadas; á esquerda da mesa em que estava meu nobre amigo, havia uma mesa ocupada por Marx, Erich Fromm e Freud, á direita, sentavam-se Nietzsche e Sócrates numa discussão calorosa que a todos perturbava, mas ninguém se metia naquele embate pois eram freqüentes discussões calorosas por ali. As mesas eram servidas por lindas e sensuais mulheres que não pareciam ganhar muito bem, uma vez que não usavam muitas roupas, devia ser caro vestir-se no paraíso, coisa que não incomodava muito a Marx, menos ainda a Nietzsche que não parava de olhar em direção as garçonetes que passavam para bem servir seus clientes.
Havia música ambiente inclusive, segundo o Rudah que lá esteve, havia um pianista anão, que tocava Miles Davis, John Coltrane com maestria e perfeição.
A esta altura do campeonato eu já o havia desculpado por sua ausência no encontro anterior, afinal, motivos não faltavam para ele permanecer naquele botequim, tão bem freqüentado no paraíso.
E tiveram rudah e deus, uma tremenda discussão acerca da criação, discussão esta, na qual deus parece ter levado a melhor. Mas, em beneficio de meu amigo, tenho a dizer que se deus ganhou no embate filosófico, perdeu nas doses, ao fim da discussão deus estava embriagado, pagava rodadas industriais aos presentes, cantarolava uma canção do Jobim, e passava mão na bunda de todas as garçonetes que por ali passavam. Em seguida, foi gentilmente retirado do bar pelos seguranças, que zelavam pela imagem e reputação do todo poderoso. O Rudah ficou lá bebendo até o bar fechar, três séculos depois. No céu o tempo voa, disse o rudah. Saiu de lá meio de porre e foi pra casa.
Depois disso eu e o Rudah nos convertemos e agora somos dois bons sujeitos, ocupados em fazer o bem a fim de ir ao céu, encontrar aquele belo botequim tão bem descrito pelo Rudah.