ATENÇÃO

Sempre me disseram que era desatento. Eu nunca dei atenção.
Meu cachorro fingia estar morto. aprendeu sozinho.
Diziam que era para chamar minha atenção. Eu passava dias sem olhar para ele.
Da última vez foi real. Só percebi dois dias depois.
Preciso prestar mais atenção.

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A estrada

Comecei a me questionar a respeito do que busco fora de casa. A Ultima viagem foi muito longa. Muito. Vi os fogos a distancia, no melhor lugar do mundo, que é justamente onde tu esta. No meu caso, rodeado por amigos.

Sei que na rodoviária de cascavel, me sinto quase um herói. É uma das sensações mais motivadoras que ja senti. Tenho mais horas naquela rodoviária do que alguns de vocês tem de vida.

Tem algo de nomade que grita, e quando me dou conta, já estou com as passagens em mãos. O que é que só a estrada tem para me dar?. Foi Kerouac quem disse, “a estrada é a vida”. Mil formas de ler a mesma frase, mil formas de se ver o mesmo quadro. Mil é uma redução empobrecedora, mas dá a dimensão das percepções possiveis.

Agora, tenho convicção de que aquilo que se busca em livros, filmes, canções e abraços de prostitutas, também se busca na estrada, só não sei ainda o que se busca nestes meios. Mas, seja o que for, na estrada também há algo disso.

A ultima viagem, foi sem duvida, a maior que já fiz, e sobretudo, foi a melhor! na medida certa.

Senhores, há um mundo lá fora, além da sala de estar, além dos limites da cidade, além da curva e além da conta! espero que vocês se encontrem nestas curvas. Se não acontecer, tudo bem, vale pela busca. Talves, a busca em si, seja mais importante do que aquilo que eventualmente tu possa encontrar. Claro que tua própria casa guarda essas respostas, mas é mais divertido procurar em outros rincões!

Á estrada senhores!!!!Ao mar marujos!

RIP Andy

Inacreditável…Vai deixar saudade…muita saudade…

Kelly Slater fala sobre a morte de AI;
” Tive sorte de conhecê-lo e de ter passado tantos momentos com ele. Sinto-me abençoado por termos resolvido nossas diferenças, e eu aprendi do que sou sou feito, do que sou capaz, por causa do Andy. Curtimos muito momentos juntos com nossas mulheres no ano passado. Conheci um garoto feliz, engraçado, inocente, que estava feliz por passar todos os segundos com as pessoas que amava. Estou muito triste.”

Andy Irons

o homem de ferro do surf dropou pela ultima vez. Vai deixar saudade…

Sinédoque NY

Vejo o mundo, a vida e tudo o mais, muito mais como uma viagem coletiva. Sendo assim, só consigo entender isso tudo ( digo, o fato de ter um blog) se for para compartilhar coisas. Sobretudo aquelas que não podem ser compartilhadas. Soa abstrato?. Eu sei. Não consigo ser mais literal.
Bem, fica a dica…de filme. É bem cerebral. Se tu anda numas de ver uma coisa mais light, deixe pra próxima sessão! Esse é longo, denso e pesado. Mas vale! Em sinédoque NY, a metonimia é uma metáfora da vida. Bem, disse que não era fácil, mas, eventualmente coisas complexas abrigam mensagens simples!

fica a dica!

erep e diluições

Como não ficar? como não deixar uma parte de ti em cada abraço? como não perder as digitais depois de tantos apertos de mão?
O EREP acabou! Digo, o evento, contudo, tudo, absolutamente tudo que foi discutido, visto, feito…ressoa aqui dentro! O mundo acabou em 2010, uma pena não terem notado a sutileza desse fim, bem como o sutil nascimento de outro mundo!

sobre sentidos e cães guia

Texto antigo. Estaria o autor se transformando em um cover de si mesmo?. Não, eu lhes asseguro!

Sullivan gostava de explorar os sentidos, tinha algo a ver com o fracasso de seus próprios sentidos, eu acho. Na década anterior, fora apontado como um dos nomes mais promissores da literatura nacional. Seu poema épico experimental “marrom punheta”, alguém parte algo se rompe” foi premiado até no exterior. Não que ele ligasse pra isso. Isso tudo, porém, foi antes das 12 paradas cardíacas que consumiram suas vaidades. Pois é, ele garantia que poesia experimental é diretamente proporcional a auto-estima do sujeito. Eu costumava ir ao sítio de Sulli. Era recepcionado pelo que ele chamava de cão-guia. Ele comprou o cão porque estava cego. Ele precisava de um guia. Ele nunca percebeu que o cão era tão cego quanto ele. E quem poderia culpa-lo? Ele precisava acreditar que algo ou alguém o guiava. Deve ser isso o que sobra para um sujeito que foi esquecido. Eu sentava ao lado de Sulli e lia para ele os jornais locais. Discutíamos, as vezes ele ria um pouco das tragédias dos outros. Só as vezes. Não havia crueldade nisso, parecia mais uma profunda compreensão humana , uma espécie de altruísmo o que o fazia rir daquele jeito. Rir como quem chora. Era assim que ele ria. Ou talves fosse uma outra forma de explorar os sentidos. Como quem assovia uma canção de esperança num disco sobre desespero. Ontem, ao chegar ao sítio, Dudu, o cão cego não venho me recepcionar. Na ausência do cão intui o que encontraria. Dentro da casa, o cão estava deitado aos pés de Sulli, como quem não se move, pois não há uma voz a guia-lo. Sulli tomou os remédios para o coração com pinga mineira. Acho que tinha algo a ver com explorar os sentidos. Embora o poeta estivesse morto, li para ele as noticias, como fazia religiosamente. Em sua fisionomia havia um sorriso. O último sorriso daquele homem. Liguei para as autoridades para informar a morte do poeta. Embora, eu, Sulli e o cão fossemos ateus, fiz uma oração que aprendera na infância. Me despedi do amigo morto e levei Dudu, o cão cego comigo. Não havia nenhuma compaixão neste ato. Eu apenas compreendera de súbito que todo mundo precisa de algo, mesmo um pobre cão cego, para chamar de guia.